Cinema

A peste e a insônia com Darín e Garcia Márquez

No elenco do curta-metragem 'La peste del insomnio', da Fundação Gabo, está também a atriz brasileira Alice Braga

24/07/2020 17:32

 

 
A Fundação Gabo, criada pelo escritor Gabriel García Márquez para estimular o jornalismo latino-americano, produziu recentemente um filme curta-metragem com atores e atrizes da América Latina que refletem sobre a pandemia a partir de textos do romance mais aclamado do autor, Cem Anos de Solidão. A obra, lançada em 1967, aborda uma epidemia de esquecimento e insônia que assolava a fictícia cidade de Macondo.

Intitulado La peste del insomnio (A peste da insônia), o curta dirigido pelo venezuelano Leonardo Aranguibel, diretor de Prisionera, conta com 30 atores de sete países diferentes, que abordam, utilizando-se das palavras de García Márquez, a possibilidade de encarar de forma leve os tempos atuais.



A produção traz artistas como a brasileira Alice Braga e o argentino Ricardo Darín lendo trechos do livro sobre a praga que vai tomando toda a população de Macondo. Mas as imagens que aparecem entre suas falas são de cidades que se encontram hoje sob o impacto da covid-19.

Do elenco participam os colombianos Andrés Parra e Ana María Orozco, o mexicano Héctor Bonilla e a cubana Yoandra Suárez, entre outros.


A obra de Garcia Marquez é uma das reflexões literárias que mais se identificam com a situação planetária vivida neste momento. Outras são as de Albert Camus em A peste e de Saramago em Ensaio da Cegueira.

Sobre A peste, Carta Maior publicou alguns comentários quando a pandemia foi decretada pela Organização Mundial de Saúde.

:: LEIA MAIS ::
*A peste e os empesteados
*Contribuições de Albert Camus para tempos de peste


''A peste foi lançada em 1947, considerada a obra maior de Camus, narra a história de homens que descobrem o que é a solidariedade em meio a uma peste que assola a cidade argelina de Oran; uma metáfora dos horrores da Segunda Guerra Mundial e onde são apresentados os efeitos que o flagelo pode causar numa sociedade.''

Em outro nível, Camus fala sobre a natureza do destino e a condição humana nessa perspectiva de experiência limite. É o ser humano diante de uma epidemia, e a releitura, no caso, da atual pandemia que mantém o mundo paralisado, com a respiração em suspenso diante do que se convencionou chamar de ''novo normal''.

Camus nos alertou: "É exaustivo ser atingido por uma praga. Mas é ainda mais cansativo recusar combater a exaustão. É por isso que todos, no mundo, parecem tão cansados; todos estão mais ou menos cansados da peste. Mas é por isso que alguns de nós, aqueles que querem eliminar a praga de seus sistemas, sentem um cansaço desesperado".




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