Cinema

A queda de um ditador

No sexagésimo aniversário da rendição da Alemanha, filme mostra as últimas horas de Adolf Hitler

06/05/2005 00:00

 

Berlim, 20 de abril de 1945. Hitler refugia-se num bunker instalado no subsolo da chancelaria alemã. O exército vermelho – soviético – está fechando o círculo ao redor da cidade. Dez dias depois, o führer reúne o seu staff, condecora Magda Goebbels, agradece ao cozinheiro o ótimo almoço e despede-se de Traudl Junge, sua secretária particular. Ele e Eva Braun, sua esposa, retiram-se, então, para os seus aposentos particulares. Logo depois, tiros de pistola são ouvidos. Cumprindo então o último desejo de Hitler, o oficial Otto Günsche e outros soldados levam os dois corpos para uma vala e os queimam. “Os soviéticos não terão nada meu. Nem o meu corpo para expor”, disse Hitler antes de morrer.

Esse é o fim do 3º Reich, que durou 12 anos – 1933/1945 – e é o que mostra o longa- metragem A Queda! As últimas horas de Hitler, dirigido por Oliver Hirschbiegel, que se baseou nos livros No Bunker de Hitler: Os últimos dias do 3º Reich, de Joachim Fest, e Até a Última Hora – a secretária de Hitler conta sua vida, de Traudl Junge.

O filme tem duas horas e meia de duração e não pretende ser um retrato de um microcosmo nazista, mas sim o último estágio do Reich numa espécie de épico, numa compressão de tempo, que visa apresentar o que aconteceu durante os anos de comando de Hitler.

Assim, enquanto a capital está sendo reduzida a escombros, Hitler diz a Albert Speer, seu ministro de Armamentos e arquiteto pessoal, que o bombardeamento das cidades fará com que fique mais fácil remover os destroços e começar a reconstrução de uma nova Alemanha. Diante da iminente derrota, ele ainda encontra tempo para condecorar um grupo de rapazes da Juventude Hitlerista.

Em diversos momentos, a câmera flagra monumentos nazistas pelo chão, numa clara alusão a queda do regime. Numa das primeiras imagens do filme, a suástica é mostrada no topo do edifício sede do governo nazista, que aos poucos é destruído pelos fogos de artilharia.

Mas Hitler sabe que a situação é grave. Seu desgaste é visível. Ele acaba de completar 56 anos, mas aparenta ter muito mais. E é nos atores que esta a força do filme de Hirschbiegel. Para representar a figura carismática do führer, o diretor chamou o ator suíço Bruno Ganz, que na época das filmagens estava com 64 anos. Ganz consegue interpretar as contradições de um homem que passava a impressão de que ele tinha tudo sob controle, mesmo abandonado por parte de seus oficiais generais.

Para se parecer ainda mais com ditador alemão, Ganz ouviu por várias horas a única gravação sonora que existe de Hitler, feita na Finlândia, a fim de imitar a sua voz. A gravação tem 18 minutos de conversa. Uma das características de Hitler era falar em um tom de voz baixo, quase inaudível.
Outra personagem marcante no filme é a de Magda Goebbels, vivida por Corina Harfouch. Para muitos historiadores sua presença ao lado de Hitler é mais decisiva do que a de Eva Braun. Hitler chamou-a de a mulher mais corajosa da Alemanha. Antes de suicidar-se, Magda envenena seus seis filhos. “Sem o nacional-socialista não há razão para viver”, afirma Magda Goebbels.




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