Cinema

Cinema em casa em tempos de coronavírus (III)

Assistir e rever bons cartazes e grandes filmes premiados

25/03/2020 19:08

(Arte/Carta Maior)

Créditos da foto: (Arte/Carta Maior)

 
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Mais ainda do que nas duas últimas semanas, cada vez mais importante é manter a calma, a serenidade e seguir instruções sanitárias da OMS e dos governos estaduais e municipais da ex-Federação da República do Brasil. Delas depende a sobrevivência física de muitos de nós. Procurar relaxar, criar novas rotinas, refletir, discernir com bom senso as informações com as quais a população é bombardeada diuturnamente e dar espaço aos programas de cinema em streaming, aos livros e à música.

Sobretudo, guardar a quarentena, dentro de casa, para sobreviver à ameaça de caos que o desgoverno deste país estimula; mas que passará.

Carta Maior continuará produzindo e oferecendo, com a colaboração de Carlos Alberto Matos, um dos melhores críticos de filmes em atividade, esta série de Cinema em Casa.

Divirtam-se e se guardem para as manifestações ruidosas de vozes de repúdio aos patrocinadores genocidas do caos que tentam implantar no país. Todas as noites, às 20h30m em todo o Brasil.

Para os próximos dias, as sugestões de filmes começam com o oscarizado Parasita, percorrem documentários excelentes como El Pepe, com José Mujica, Ícaro e A 13.a emenda. No coração do mundo é um belo filme brasileiro realizado pelos jovens de Contagem, em Minas Gerais. E há o festejado francês Os miseráveis, um dos melhores filmes lançados este ano. A grande aposta, meia ficção baseada no crack econômico-financeiro de 2008 é outro um bom programa.

Como ninguém é de ferro, Carta Maior convida para ouvir a música e assistir a trajetória de um dos gigantes do jazz: Miles: birth of the cool.

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(Divulgação)

Parasita
O filme de Joon Ho é um espetáculo refinado de intrincados símbolos, alusões e alegorias. A menção a insetos (seres humanos assemelhados a baratas), a insistência na descrição dos porões de um submundo que se pretende ignorar, as águas de esgoto que transbordam e inundam vielas da favela de Seul são todos eles momentos especiais de Parasita. Oscar deste ano, um dos grandes filmes no streaming, é imperdível para ver e rever. Disponível no NOW.
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:: Leia mais :: O cheiro dos pobres

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El Pepe
O diretor Emir Kusturica utiliza, além de imagens de arquivo dessa época, várias sequências do clássico de Costa Gavras, o filme Estado de Sítio, de 1972.

O socialismo, diz Mujica neste documentário (entre as muitas tiradas típicas do seu indestrutível senso de humor) parecia que estava logo ali. Devaneio a ser desfeito pela realidade adversa sempre preparada para negar a utopia latino-americana. Disponível na Netflix.
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(Divulgação)

No coração do mundo
Muito mais adequado seria se No coração do mundo, o belo título de um dos melhores filmes brasileiros apresentados em 2019 fosse No coração do Brasil. O local não seria a shangrilá almejada pelos quatro protagonistas de No coração do mundo. Seria o avesso do paraíso na terra, mas estaríamos no coração do país. Pobre, proletário, conformado e inconformado, malandro, violento, fortemente criativo, piadista, apaixonado e acantonado nas periferias das grandes cidades.
:: Leia mais :: No coração do Brasil
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Certo agora, errado antes
Programa ótimo. Mais um coreano, Hong Sang-soo, de qualidade. Na sua filmografia, trabalhos de uma delicada sensibilidade como A câmera de Claire. Em cartaz gratuitamente só até amanhã, dia 26, às 12 horas (horário de Portugal) e 16 horas no horário de Brasília. No site da Medeia Filmes, produtora portuguesa com excelente catálogo. Resenha de Carlos Alberto Mattos.
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Ícaro
''Diante das denúncias de atletas russos num documentário alemão de 2014, que colocavam em dúvida todo o sistema de fiscalização antidoping nos esportes olímpicos, o diretor Bryan Fogel começou a fazer um filme centrado em seu próprio corpo. Ciclista amador, ele passou a se aplicar injeções de testosterona e esteróides para demonstrar como se pode fraudar os exames antidoping com relativa facilidade.'' Carlos Alberto Mattos. Disponível na Netflix.
:: Leia mais :: O fraudador que saiu do frio

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Os miseráveis
O filme desponta como um dos melhores cartazes de 2020. Filme empolgante rodado na periferia de Paris que vem recebendo inúmeros prêmios em festivais e dividiu as honras do Grande Premio do Júri de Cannes de 2019 com o brasileiro Bacurau.
:: Leia mais :: O alerta que vem dos miseráveis
:: Leia mais :: A periferia sem preto no branco

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A 13ª emenda
O eixo central deste doc vem do impacto causado pela brecha na lei da Constituição americana que regulamenta a 13a. emenda na vida dos afro-americanos até os dias de hoje. O foco do filme está na evolução do sistema da justiça criminal dos EUA, no complexo prisional do país e dezenas de unidades privatizadas pelo governo Clinton, no encarceramento em massa e o reforço permanente do mito da criminalidade dos negros. Disponível na Netflix.
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Miles: birth of the cool
Miles Davis, uma das grandes lendas do jazz de todos os tempos. O doc explora fotos de arquivo e filmes caseiros feitos por ele e pelos seus colegas, manuscritos e pinturas de sua autoria e descortina o ser humano que existiu por detrás da música que ele criou. Na Netflix.
:: Leia mais :: Miles: a música que vai direto ao coração

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A grande aposta
O filme tem início alguns anos antes do estouro da economia de 2008. Os personagens são reais. Michael Burry, dono de empresa de porte médio, no interior dos EUA, um nerd alucinado, decide investir uma fortuna do fundo que coordena ao apostar que o sistema imobiliário nos Estados Unidos quebraria dentro de alguns poucos anos. Foi profeta. Disponível na Netflix.
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Virando a mesa do poder
O documentário Virando a mesa do poder (Knock down the house) relata a trajetória política inusitada de Alexandria Ocasio-Cortez, de 29 anos. De origem porto-riquenha, é a personagem principal do filme e foi eleita para o Capitólio nas mais recentes eleições americanas. Disponível na Netflix.
:: Leia mais :: Uma estrela no céu do Capitólio

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The Apollo
Na sua resenha, Carlos Alberto Mattos escreve: ''Louis Armstrong, Aretha Franklin, Ray Charles, Billie Holiday, James Brown, Gladys Knight and the Pips, Stevie Wonder, Ella Fitzgerald, Duke Ellington… É interminável a lista dos grandes artistas afro-americanos que despontaram no palco do Apollo Theater, no Harlem nova-iorquino. Eles passam rapidamente pela tela em The Apollo, o documentário que celebra a história da celebérrima casa de espetáculos fundada em 1914.'' na Netflix.
:: Leia mais :: Na corrida pelo Oscar do real: The Apollo

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One of us
O documentário One of us, disponível na Netflix, entrevê um grupo de judeus hassídicos de Nova Iorque ''pelas frestas'', no fundo da cena, enquanto se ocupa de três jovens que decidiram romper com os preceitos religiosos.
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Novo streaming vem de São Paulo com novidades

Com décadas de tradição em apresentar o que há de melhor na cinematografia mundial, novidades mais originais e premiadas ou clássicos, o cinema de rua de São Paulo ganha expansão nacional com o lançamento do streaming Petra Belas Artes à la Carte.

Desta forma, os fãs do Petra Belas Artes poderão frequentar o cinema virtualmente. E novos fãs, em todo o país, terão acesso a uma seleção de filmes compatível com a programação desse cinema, o primeiro a ter um canal de exibição VOD.

A plataforma está no ar desde o final de 2019 com curadoria de André Sturm, autor da iniciativa, fundador da distribuidora Pandora Filmes e programador do conjunto de salas do Petra Belas Artes, em São Paulo. Ele idealizou o Petra Belas Artes à la carte como um espaço com alternativas diferentes da oferta nos demais serviços existentes. Lá, ''os espectadores podem assistir, onde quer que estejam, filmes clássicos, cult movies e novidades do cinema contemporâneo”, diz Sturm.


Toni Collete em 'O Casamento de Muriel'

As classificações do serviço: "cults incríveis", “mulheres maravilhosas”, "hahaha", “para roer as unhas”, "o que todo cinéfilo precisa ver antes de morrer" e "novo no cardápio", entre várias outras. O streaming, que tem em seu catálogo quase 200 filmes, pode ser assinado ou alugado por preços variáveis. Quanto ao conteúdo, jóias raras cinematográficas podem ser encontradas. Les dames du Bois de Boulogne (1945), obra-prima de Robert Bresson, diretor que até hoje é referência para jovens cineastas; E Deus Criou a Mulher (1956), filme que transformou Brigitte Bardot em sex symbol; As Diabólicas (1955), de Henri-Georges Clouzot, o grande mestre francês do suspense; O Casamento de Muriel (1994), comédia australiana que revelou a atriz Toni Collette e tornou cult as músicas do grupo Abba; Possessão (1981), de Andrzej Zulawski, com a excepcional atuação de Isabelle Adjani, premiada no Festival de Cannes; e O Pequeno Buda (1993), uma das mais ambiciosas produções de Bernardo Bertolucci, com a magnífica direção de fotografia de Vittorio Storaro.

www.belasartesalacarte.com.br



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