Cinema

Cinema em casa em tempos de coronavírus (VI)

Uma Páscoa cinematográfica de alto nível

08/04/2020 16:35

(Arte/Carta Maior)

Créditos da foto: (Arte/Carta Maior)

 
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A semana é movimentada com duas novidades notáveis: a estréia, amanhã, para assistir em casa, do mais recente trabalho de Roman Polanski, O oficial e o espião, e o mais novo filme do britânico Ken Loach, Você não estava aqui, também em plataforma digital. Cartazes assinados por dois gigantes do cinema que merecem ser vistos não apenas pela sua alta voltagem mas também pela atualidade. No primeiro caso, o relato de como se pode destruir a vida de alguém julgado em regime de lawfare, tão familiar a nós, no Brasil, com a farsa da Lava jato: ver o caso do julgamento do presidente Lula. E com Loach, o libelo contra a uberização e a desqualificação do trabalho, no mundo, e o exército crescente de homens e mulheres, os invisíveis, que operam por sua conta e risco tentando fugir do desemprego que rapidamente se torna endêmico no mundo neocapitalista.

Há mais cartazes cinematográficas igualmente de qualidade: rever os docs de Emília Silveira , ''histórias de um tempo de guerra'' ou seja da ditadura empresarial-civil-militar dos generais brasileiros; o excelente filme húngaro, White dog; um Woody Allen de respeito, Match Point, rodado na fase europeia do cineasta novaiorquino; mais o histórico filme soviético de seis horas de duração, Guerra e paz, do ucraniano Serguei Bondarchuk, e um lendário documentário iraniano que tem tudo a ver com a pandemia do covid-19. Título, A casa preta.

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O oficial e o espião
A partir de hoje, disponível para alugar no Now, no Google Play, youtube, Vivo e iTunes.
Conta a saga do capitão francês Alfred Dreyfus, no fim do século 19, que passou para a história. Relatada desde a acusação fraudulenta de espionagem para os alemães até a sua condenação injusta e a sentença de prisão perpétua por traição, a narrativa de Roman Polanski recebeu quatro prêmios no mais recente Festival de Veneza e foi assistido, nos cinemas, em apenas um fim de semana, por dez mil espectadores. Saiu de cartaz com o início da quarentena. No filme, o coronel Georges Picquart (o ator Jean Dujardin) , também do exército francês, decide investigar o caso honestamente e por conta própria. “Eu diria que é um thriller,'' comentou Polanski, quando da sua estréia. ''O público compartilha cada etapa da investigação com Picquart - e todos os eventos principais são autênticos, assim como muitas das palavras proferidas pelos personagens porque elas são retiradas dos registros contemporâneos”, ele diz.

Assista ao trailer:



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Você não estava aqui
O novo filme de Loach pode ser visto como uma suíte de Eu, Daniel Blake. Em ambos, Daniel e Ricky (o motorista de aplicativo) acabam surtando com a pressão desumana e cotidiana sobre a sua existência, a mesma que vivem indivíduos das classes desfavorecidas: os idosos, que insistem em não morrer e não são mais de utilidade ao sistema, e os trabalhadores que viram desaparecer o chão das fábricas e perderam empregos e direitos trabalhistas. No Now, iTunes, Vivo Play, Google Play e youtube premium
:: Leia mais :: O novo filme de Loach está aqui

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Histórias de um Tempo de Guerra
Documentários de Emília Silveira para assistir em casa. A memória de militantes que lutaram contra o regime militar com depoimento de guerrilheiros envolvidos no sequestro do embaixador suíço, e as lembranças do tempo em que sonhavam em mudar o mundo. E o doc que narra a incrível saga de Theodomiro Romeiro dos Santos, preso político que se tornou o primeiro condenado à morte, no Brasil.

*Galeria F está em: https://vimeo.com/179931126 | use a senha 70filmes

*Histórias de um Tempo de Guerra
está em https://globosatplay.globo.com/canal-brasil/historias-de-um-tempo-de-guerra/

:: Leia mais :: Setenta combatentes e apenas um filme
:: Leia mais :: Galeria F: O cinema político pode iluminar as trevas

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White God - deus branco
White God -- deus branco remete a um clássico do americano Samuel Fuller, Cão Branco (White Dog, de 1982), que narra a história de um cão treinado para matar e é uma alegoria das relações racistas e da luta de classes. O filme também homenageia o romance de ficção científica dos irmãos russos Arcady e Boris Strugatsky, É difícil ser um Deus.
O filme carrega forte crítica social, cultural e política a uma Europa que fecha as portas aos imigrantes refugiados das guerras que ela própria estimula, no seu alinhamento subserviente aos interesses econômicos e geopolíticos dos governos dos EUA. No youtube.
:: Leia mais :: White God - A vingança dos oprimidos

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Guerra e Paz
Diz Carlos Alberto Mattos sobre o filme de Sergei Bondarchuk, diretor, roteirista e ator soviético: ''O épico monumental baseado em Leon Tolstoi está disponível no canal da Mosfilm no youtube, em versão de alta definição e legendado em português. São quatro filmes (sendo o primeiro dividido em duas partes), totalizando quase sete horas. Vale cada minuto pela excelência da realização, a mais cara da história do cinema soviético. Tanto requinte e suntuosidade, porém, não são gratuitos. Tudo serve às emoções dos personagens e ao pensamento de Tolstoi sobre a Rússia na década de 1800, às voltas com as guerras napoleônicas. É um dos filmes mais belos e espetaculares da história do cinema, oscilando entre o fragor de multidões em batalhas e a intimidade das casas e palácios, onde as câmeras de Bondarchuk flutuam elegantemente como se não houvesse gravidade.''. No youtube.

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Match Point
Na resenha sobre o filme de Woody Allen publicada em Carta Maior: ''História de suspense, muito bem construída, que mantém a atenção do espectador pendurada no fio da narrativa. Utiliza com argúcia grandes planos das faces dos personagens para explorar com minúcia seus sentimentos. O enredo é original e a conclusão do filme é tão inesperada quanto a de uma boa piada. Mas não é piada alguma; ao contrário.'' Este é um dos filmes mais consistentes de Allen da sua fase europeia. O cenário é Londres. Na Netflix e no Google Play.
:: Leia mais :: "Ponto Final" – o fatalismo de Woody Allen

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A casa é preta
Diz o jornal The Guardian sobre este cartaz importante: ''O que um filme iraniano sobre uma colônia de leprosos pode nos ensinar sobre o coronavírus: The house is black, de 1962, é um documentário poético, clássico, sobre isolamento social e doenças com seus efeitos desproporcionais sobre os despossuídos. Uma visão da dor que nenhum ser humano atencioso deve ignorar''. No youtube (com legendas em espanhol)

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*No Canal Brasil

Disponibilizados clássicos do cinema brasileiro no on demand das operadoras de TV por assinatura e no Canal Brasil Play.

Além das mais recentes produções, o Canal Brasil Play disponibiliza diversos filmes clássicos gratuitamente desde o dia 7 de abril - para assinantes e não assinante. Selecionados cinco longas essenciais da nossa cinematografia: Deus e o Diabo Na Terra Do Sol(1963), Os Fuzis (1964), Terra em Transe (1967), O Beijo no Asfalto (1981) e O Dragão Da Maldade Contra O Santo Guerreiro (1969).

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