Cinema

Filme sobre Lula ganha circuito inédito na América Latina

Exibido no Brasil em 2010, o longa-metragem 'Lula, o filho do Brasil' entrou em cartaz pela primeira vez no Uruguai e está em negociação com outros países

04/05/2018 18:32

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Créditos da foto: Divulgação

 
Naira Hofmeister
O longa-metragem “Lula, o filho do Brasil”, que narra os anos iniciais da vida política do ex-presidente Lula, na época em que era dirigente sindical, está sendo comercializado em um ritmo incomum para uma obra concluída quase uma década atrás.
Lançado em 2010 no Brasil, o filme excursionou por alguns países vizinhos e pelos Estados Unidos, mas a prisão do ex-presidente despertou a curiosidade do público e a cobiça das salas de cinema, que apostam na notoriedade dos fatos mais recentes para vender ingressos.
Essa semana, a produção faz sua estreia no Uruguai, e já há negociações avançadas para que seja exibido também no Paraguai, Equador, Bolívia e Chile, todos países aos quais nunca chegou. “Esse interesse não me surpreende. O Lula é assunto mundial, temos propostas da Espanha, França, Itália, Alemanha para exibir o filme. Nos Estados Unidos ele já foi visto, mas querem relançar”, assegura o produtor da película, Luiz Carlos Barreto - um dos nomes mais reconhecidos do cinema brasileiro, o homem por trás de produções como “O que é isso, companheiro”, “O Quatrilho”, “Bye bye Brasil” e “Dona Flor e seus dois maridos”, entre outras dezenas de títulos.
Outro destino importante deve ser a Argentina, onde o filme circulou em 2010, e que está próxima de fechar novas exibições.
No Brasil, a obra foi vista por 1,2 milhão de espectadores nos cinemas e 22 milhões quando passou na TV Globo. Atualmente está disponível em plataformas on-demand e não há perspectiva de que volte a cartaz. “Não é uma coisa que estamos cogitando, por enquanto. Mas dependendo do interesse, talvez possa haver circular em circuitos mais específicos”, admite Barreto.
 
No Uruguai, espaço incomum
A prova de fogo latino-americana começou nesta quinta-feira, quando “Lula, o filho do Brasil” entrou em cartaz em quatro cinemas de Montevidéu e ainda em uma sala em Rivera, na fronteira com o Rio Grande do Sul.
Segundo o distribuidor Nicolás Valdéz, responsável por levar a película ao país vizinho, o filme recebeu atenção e espaço incomuns na capital uruguaia: “Não só o cinema brasileiro, mas o cinema latino-americano como um todo não se exibe muito por aqui, a não ser na cinemateca ou em festivais. Uma estreia como essa é muito rara”.
A intenção do distribuidor é “ver se funciona” com o público - coisa em que ele aposta - e aproveitar para lançar outros títulos brasileiros por lá. O próximo da lista é “João, o maestro”, também produzida por Luiz Carlos Barreto e lançada no Brasil no ano passado. “Estamos trabalhando em coproduções com Luiz Carlos Barreto e por isso surgiu a oportunidade de representarmos seus filmes na América Latina. Estávamos tentando emplacar esse e outros títulos desde o ano passado, mas agora com a prisão há um interesse especial”, observa.
A nota curiosa é que o filme foi financiado justamente pelas empresas que protagonizaram o processo que levou Lula à cadeia. Odebrecht, OAS e Camargo Corrêa, as três principais construtoras envolvidas na Lava Jato, bancaram um orçamento milionário, considerado o mais alto em um filme brasileiro na época, feito sem incentivos fiscais.
 
Homenagem ao líder
No Uruguai, a estreia inédita de “Lula, o filho do Brasil”, além de uma jogada comercial, foi também uma homenagem ao ex-presidente brasileiro, reverenciado por toda a esquerda latino-americana. “Independentemente da ideologia de cada um, Lula continua a ser um líder que marcou o desenvolvimento da América Latina, ele representa esse movimento”, acredita Nicolás Valdéz.
A avant-première, uma sessão só para convidados, foi emotiva, segundo o distribuidor. “Houve muita comoção e aplausos”, revela.
Apesar disso, Valdéz acrescenta ainda que não espera atingir apenas simpatizantes de Lula no Uruguai e, neste sentido, aposta na notoriedade do elenco da película, que conta com Glória Pires no papel da mãe de Lula, Cleo Pires como a primeira esposa do presidente e Juliana Baroni na pele de Marisa Letícia. “Acreditamos que é um filme para o grande público porque é uma história única, protagonizada por uma das atrizes mais importantes do Brasil, e que teve um investimento criativo enorme”.
O distribuidor aposta que no interesse do público pelo passado do personagem, justamente o que o filme retrata. “Acho que mostra um Lula que as pessoas não conhecem. Deve interessar a muita gente que ouviu falar desse homem - não somente agora, mas enquanto ele esteve na presidência”, completa.





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