Cinema

Heróis da pandemia

O que "voluntário ****1864 - quem são os anônimos da vacina?" traz de especial nesse conjunto de filmes sobre o nosso momento sanitário e político são as emoções de algumas pessoas que merecem nossa admiração

30/07/2021 13:39

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O novo gênero "cinema da pandemia" está sendo enriquecido com o novo filme de Sandra Kogut, que estreia neste domingo, 1/8, às 23h na Globonews e na plataforma Globoplay. voluntário ****1864 - quem são os anônimos da vacina? foi realizado nos moldes hoje habituais, ou seja, à distância, através de contatos virtuais e filmagens feitas pelos próprios personagens.

Após uma introdução em que situa a evolução inicial da Covid-19 no país e o negacionismo genocida do governo federal, o documentário concentra-se em algumas pessoas que se ofereceram como voluntários para testar as vacinas em análise no país. Era um período de total incerteza, ainda em 2020. Os voluntários, em grande parte profissionais da Saúde, ofereciam seus corpos com um misto de abnegação e vaidade. "Vamos tentar salvar a Humanidade", diz um deles. A perspectiva de serem vistos como heróis pelas gerações futuras não deixava de contribuir para seu entusiasmo.



Como no pioneiro Me Cuidem-se!, de Bebeto Abrantes e Cavi Borges, Sandra pediu que eles gravassem uma espécie de diário pessoal de sua experiência. Assim, os personagens se improvisam em documentaristas de si mesmos e saem à luta. São casais, pais e filhos, jovens e idosos, um brasileiro estabelecido na Inglaterra... Todos lançados à aventura simultânea de cobaias e atores sociais de um filme.

Eles e elas compartilham suas dúvidas (tomaram placebo ou a vacina de verdade?), sua perplexidade diante dos horrores bolsonaristas e suas opiniões sobre a fé na Ciência, os preconceitos anti-China e as fake news que infestavam as redes sociais. Um casal gay chega a se infectar com o vírus enquanto ainda desconhecia se estava mesmo vacinado ou não. O Natal de 2020 é celebrado num estranho clima de alegria artificial.

O que voluntário ****1864 traz de especial nesse conjunto de filmes sobre o nosso momento sanitário e político são as emoções de um grupo de pessoas que merecem nossa admiração. O carinho de Sandra no contato com eles e elas pelo Zoom é, mais que uma relação de diretor-personagem, a expressão de um justo reconhecimento. O arco dramático do filme se conclui com a aprovação das primeiras vacinas e o sopro de esperança que isso representou. O epílogo de cada voluntário produz um arremedo de final feliz que pode não condizer com a realidade, mas nos consola e afaga nossas melhores expectativas.



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