Cinema

O cinema poético sem tanta testosterona

Oscar de Melhor Filme, há três anos, um filme-poema que narra com extrema doçura uma história de amor e de solidão

17/06/2020 15:39

 

 
Apelidado de ''Little”, o pequeno e tímido Chiron (ator Alex Hibbert, extraordinário), de dez anos, vive num bairro pobre da comunidade negra na Miami da década dos 80, que vivia a explosão do crack. Mora com uma mãe viciada em drogas que pouca atenção lhe dá e nenhum calor, afeto ou acompanhamento para apaziguar a perplexidade do garoto diante da vida e, em particular, da sua sexualidade. Os colegas, na escola, o maltratam e caçoam do garoto chamando-o de ''bicha'' - faggie. Uma gíria que ele não entende o que significa.

Montado em três capítulos, o primeiro deles trata da vida desse Little, acuado diante do bullying e da sua relação com Juan (excelente, o ator Mahershala Ali), um traficante de origem cubana que ele elege como pai e se torna o seu amigo dileto.

O segundo momento é o da vida do adolescente nesse mesmo cenário da escola-casa-rejeição-bullying. Outro ator espetacular, escolhido para o papel é Ashton Sanders. É nessa fase que Chiron descobre o prazer sexual com um colega de colégio, numa noite de luar, na praia, e que será decisiva na sua vida. O luar na praia será o seu rosebud.

Surrado pelos meninos, na escola, entre eles pelo colega do qual se afeiçoara, a reação violenta de Little vai determinar o rumo da sua existência de adulto.

No terceiro capítulo de Moonlight, seu novo apelido é Black, - um rei das ruas de South Miami e traficante de drogas bem sucedido. Outro ator desempenha com brilho esse personagem: o atleta Trevante Rhodes, da Lousianna, que começou a trabalhar no cinema, é eficiente ator quando não está competindo e fecha o elenco brilhante com a atriz Naomie Harris fazendo uma comovedora mãe de Chiron.

Com este cartaz Barry Jenkins se (re)afirma entre a crítica de filmes e as grandes platéias. É um diretor de extrema delicadeza (Remédio para a melancolia é outro título de sua autoria, na mesma sintonia) e se destaca no universo da produção de Hollywood onde o cinema com excesso de testosterona continua sendo um dos componentes principais.

Vale assistir a Moonlight. É um poema.







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