Cinema

O dilema do dilema das redes: a internet é o ópio do povo

Mauro Iasi faz uma leitura marxista do novo documentário da Netflix sobre as engrenagens perversas das redes sociais

21/10/2020 11:58

(Reprodução)

Créditos da foto: (Reprodução)

 
“O capital tem que ser crisálida por um tempo antes de poder voar como borboleta”
KARL MARX, GRUNDRISSE, p. 453.

O dilema do documentário O dilema das redes (2020) é muito comum em documentários deste tipo. Nos apresentam uma série de dados, fatos e denúncias – todos muito preocupantes – mas lhes faltam categorias de análise para compreender a questão que denunciam. Podemos ver tal problema em bons documentários, como Uma verdade inconveniente (dirigido por Davis Guggenheim e apresentado por Al Gore, 2006) ou mesmo no brasileiro Democracia em vertigem (dir. Petra Costa, 2019).

Antes de tudo é preciso dizer que um bom documentário pode contribuir com uma denúncia ou registro histórico – e isso já é bastante importante. Portanto, não se trata de desmerecer a função ou a qualidade do filme. Nosso ponto é que ficamos com uma inevitável certa sensação de espanto: “nossa vejam só o que tem por trás de nosso simples lanche nesta rede de fastfood”, “nossa, estamos destruindo a natureza”, ou, “quem diria, não sabia que na Segunda Guerra Mundial os comunistas foram decisivos para derrotar o nazismo”, ou ainda, “puxa vida, comprei um conjunto completo de pesca e odeio pescar!” Um bom exemplo disso é o documentário Sicko: SOS Saúde (2008), do excelente Michael Moore, que depois de expor um grande e preciso painel sobre diferentes tipos de sistemas públicos de saúde comparados à tragédia estadunidense, termina concluindo que os EUA são um exemplo de princípios para o mundo.

No caso particular de O dilema das redes ocorre o mesmo. É, sem dúvida, muito importante a denúncia vinda de empresários do setor, que lucraram muito criando as empresas digitais que monopolizam as redes, a revelação de seu funcionamento e a denúncia sobre os preocupantes efeitos sobre as pessoas e sua perniciosa influência em processos políticos. Uma espécie de crise de consciência bem-vinda e algumas informações muito relevantes. Mas o que nos chama a atenção é que os envolvidos, via de regra, parecem não entender exatamente no que estão envolvidos como protagonistas. E isso acaba desaguando na aparente ingenuidade das propostas para enfrentar o problema.

Podemos resumir esse horizonte das propostas em duas direções, que ao meu ver se aproximam na mesma incompreensão. A saber: submeter as grandes corporações digitais à algum tipo de controle, ou boicotá-las e se retirar das redes.

Então, vamos lá. O primeiro aspecto a ressaltar é que a crise ética dos protagonistas é fundada na premissa que acreditavam estar fazendo algo inovador e profundamente positivo, quando se viram envolvidos em interesses e direções profundamente manipulatórios. Aqui se reapresenta uma conhecida dimensão sobre o uso da tecnologia, que em si mesma seria neutra, podendo portanto ser usada igualmente para o bem ou para o mal. A operação desloca, assim, o problema para a dimensão ética. Todos estavam empenhados em desenvolver uma “ferramenta” (o termo é importante, como veremos) que seria capaz de integrar as pessoas – encontrar parentes e amigos distantes, transpor barreiras permitindo a manifestação de emoções ou preocupações por meio de mensagens, vídeos e outros meios etc. – mas se viram enredados numa rede cuja finalidade era prender a atenção e servir de plataforma de marketing.

Uma das entrevistadas, Cath O’neil (PhD em ciências da informação), resume os interesses da seguinte maneira: “algoritmos são opiniões embutidas em códigos” que buscam certo objetivo “por interesse comercial, normalmente é por lucro”. Essa porém não é propriamente a surpresa dos envolvidos, uma vez que todos sabiam que se tratavam de empresas que visavam lucro – sua consciência imediata simplesmente racionalizava de uma forma muito conhecida, a saber: “tudo bem que eles queiram lucros desde que alcancem fazendo algo bom para todos”. É evidente que são empresas – portanto, não são exatamente “ferramentas” –, empresas que querem lucros e que os conseguem numa dimensão assombrosa. E é aqui que a discussão fica interessante: o que vendem, qual é o produto?

A resposta do documentário é simples: nós. De forma correta o documentário afasta a resposta simples que o produto seja a venda dos dados capturados pelas plataformas digitais, ainda que este seja um subproduto possível. Ao que parece, contudo, as empresas funcionam, trocando em miúdos, prendendo a atenção do usuário para que assim, através de algoritmos, possa mapear comportamentos e padrões que sirvam para dirigir a oferta de produtos com um grau alto de certeza de consumo. Um dos entrevistados resume exatamente assim: o produto vendido é “certeza”.

Aqui, também, não chegamos ainda no cerne da surpresa, nem no âmago do dilema ético. Todos ali eram protagonistas de empresas que, segundo imaginavam, prestava um serviço relevante e inovador e que precisavam se financiar, ou nos termos de Tim Kendall (ex-executivo do Facebook), “monetizar” as atividades, como vimos, para ter lucros. O problema parece ser que ao buscar esses objetivos, as redes passaram a fazer algo além do que simplesmente mapear comportamentos e perfis: passaram a ativamente interferir e induzir comportamentos numa determinada direção – daí a dimensão de manipulação e o dilema ético envolvido.

A primeira questão (que como veremos fica em grande medida sem resposta terminado o filme) é a seguinte: por que prevaleceu a intenção da manipulação sobre as boas intenções de seus criadores? Digo em grande medida pois no fundo há uma resposta. Para os criadores do documentário, os algoritmos uma vez criados passam a funcionar sem a interferência direta de seus criadores e executores, algo próximo da chamada inteligência artificial ou educação de máquina. Os entrevistados chegam a firmar que a grande maioria dos envolvidos não têm ideia de como realmente funcionam os programas que eles instalam e desenvolvem.

Veja, para nós que nos servimos de categorias da crítica da economia política, não podemos deixar de olhar com certa condescendência para pessoas extremamente inteligentes e competentes em suas áreas que desconhecem por completo alguns elementos fundantes do mundo em que vivem. Precisaríamos começar pela afirmação que estamos todos inseridos numa divisão sociotécnica do trabalho, uma divisão na qual prevalece a fragmentação de funções especializadas e a cooperação do trabalho, de forma que o produto total resulta da incidência de vários trabalhos particulares e que foge a compreensão dos sujeitos envolvidos. Isso para não falar em algo constitutivo do mundo das mercadorias, levados ao máximo sobre o capital, que é o fetichismo da mercadoria e sua inevitável correspondente na reificação.

O documentário assim nos comunica, em tons alarmantes de denúncia, que os seres humanos assumiram a forma de mercadorias, se coisificaram! Neste momento, um alemão barbudo, com cabelos desengrenados, levanta os olhos em meados do século XIX de um manuscrito escrito com pena e tinta e diz: “Du weißt nichts, unschuldig” (mais ou menos: “sabe nada inocente”).

Voltemos à constatação central: somos o produto, aprisionada nossa atenção através de métodos neurolinguísticos mais avançados, computados os dados por poderosos computadores e algoritmos sofisticados que resultam no mapeamento e indução de perfis e comportamentos para dirigir com alto grau de certeza os produtos a serem anunciados.

O grau de tecnologia envolvido é assustador. Um dos dados apresentados pelo product manager da poderosa NVIDIA é que de 1960 pra cá o poder de processamento aumentou em um trilhão de vezes. Podemos imaginar os custos envolvidos. Daí a questão central: quem paga? Nós, os produtos, não pagamos pelo suposto serviço de aprisionar nossa atenção. As empresas ganham muito dinheiro, a Google teve um faturamento de 29,3 bilhões de dólares em 2010 e o Facebook cerca de 11,4 bilhões em 2018. Portanto, alguém pagou.

Há um sujeito oculto nessa trama. Mas, para trazê-lo à luz temos que afastar inicialmente um ruído. Essas montanhas de lucro acumulados por estas empresas (Google, Facebook, Twitter, Instagram, YouTube, Tik Tok, Pinterest, LinkedIn, etc.) não são gerados por elas. Aqui a categoria da crítica da economia política central é a de valor. Qualquer um que queira entender nosso mundo sem a categoria de valor se assemelha a um navegador que se aventurou em mares tenebrosos desprovido de um bússola.

Por mais sofisticados que sejam os empreendimentos, por mais que os seus protagonistas, jovens que acumularam fortunas em tenra idade que somados todos nós juntos não acumularíamos no espaço de uma vida (notem um certo ressentimento de um funcionário público prestes a se aposentar), se mostrem espantados e desconcertados eticamente, as empresas citadas são uma manifestação moderna e inovadora de uma empresa publicitária – mas precisamente, uma empresa utilizada por empresas publicitárias para veicular anúncios. As empresas publicitarias costumavam ter departamentos inteiros de pesquisa que procuravam os famosos “nichos de mercado” e depois pensavam em veículos nos quais comunicar a mensagem do produto (jornal impresso, revista, rádio, outdoor, televisão, etc.). Qualquer um do mundo da propaganda sabe que não adianta anunciar remédios contra a impotência no horário em que criancinhas estão assistindo desenho animado ou brinquedinhos de encaixar para velhinhos assistindo telenovela. O princípio é o mesmo: prender nossa atenção com desenhos, novelas, noticiários e empurrar mercadorias.

No velho mundo da propaganda também tinha manipulação, indução de comportamento, modelagem de valores, criação de necessidades e tudo o mais. Toda as reflexões sobre indústria cultural da Escola de Frankfurt e a tese lukácsiana sobre a manipulação, são anteriores ao boom dos computadores e das redes. Evidente que alcançamos uma dimensão maior, mas o princípio envolvido parece-me o mesmo.

Considerada por este ângulo, estamos falando da esfera da circulação, mais precisamente do problema da realização do valor. O capital é em sua totalidade “unidade do processo de produção e do processo de circulação; o processo de produção torna-se mediador do processo de circulação e vice-versa” (O capital, Livro II, p. 179). O capitalista começa comprando determinadas mercadorias (um ato de compra, circulação), organiza um processo de produção e termina vendendo uma nova mercadoria (novamente a circulação). O processo de valorização se dá no consumo da força de trabalho, que é a única mercadoria capaz de gerar mais valor que seu próprio valor, um valor a mais, mais-valor ou mais-valia. Todavia esse mais-valor está preso inevitavelmente no corpo de uma mercadoria e precisa se reconverter à forma dinheiro, ou seja, realizar-se. É somente na circulação, na venda da mercadoria que o mais-valor se realiza, ainda que só possa surgir com valor a mais no processo de produção. Quem vê as fortunas no setor se espanta, mas elas não surgiram ali, assim como as crianças aparecem no mundo nas maternidades, mas não foram geradas nelas.

Compreendendo desta maneira, a circulação não gera valor novo, ajuda a realizar a mais valia gerada na esfera da produção e se apropria de parte dela. Os bilhões que aparecem na conta das empresas digitais deriva de um lucro comercial, mas não da produção de novo valor, são parte, portanto, do caráter parasitário do capitalismo plenamente desenvolvido. Isto não quer dizer, de forma nenhuma, que estas empresas não sejam necessárias à dinâmica do capital monopolista, pelo contrário.

Outro ponto essencial que escapa à compreensão dos jovens gênios da internet é o motivo de grandes monopólios industriais desviarem fortunas para estas empresas. Muito preocupados em definir um certo “capitalismo de vigilância”, as pessoas talvez deviam se preocupar em entender primeiro o que é “capitalismo”. Então vamos lá.

O capitalismo altamente desenvolvido, portanto, concentrado e centralizado em grandes empresas monopólicas, tende a desenvolver cada vez mais a produtividade do trabalho e, portanto, alterar a proporção entre os fatores que compõe o capital, a chamada composição orgânica. Cada vez mais há um investimento em meios de produção, tecnologia e outros elementos do capital constante, proporcionalmente ao que é investido em capital variável, isto é, força de trabalho. Daí deriva uma tendência à queda nas taxas de lucro e que está na raiz das crises do capital.

Os capitalistas precisam realizar cada vez mais uma massa maior de lucro, com taxas de lucro cada vez menores. Daí que uma das contradições mais preocupantes do capital em seu processo de valorização é o tempo entre a produção e a realização do valor, o momento em que o capital se encontra na crisálida antes de voar novamente como capital dinheiro em busca de novo ciclo de valorização.

Neste momento delicado do processo, diz Marx: “os artistas da circulação, que se imaginam capazes de fazer, por meio da velocidade da circulação, algo mais que reduzir os impedimentos postos pelo próprio capital à sua reprodução, estão num beco sem saída” (Grundisse, p. 450).

O ritmo e o volume da produção dependem do desenvolvimento tecnológico e da potencialização do trabalho, mas o tempo da realização depende de outros fatores, como a capacidade de consumo da sociedade, fatores como renda, logística de distribuição, concorrência, hábitos, quem o imbecil que se encontra na presidência, etc. Desde sempre o capital buscou controlar a esfera da realização, daí o desenvolvimento do segmento publicitário entre outros. A primeira empresa publicitária surgiu em 1841, em Boston, criadas por Volney Palmer que cobrava módicos 25% para anunciar os produtos (informação que encontrei graças ao Google).

Ocorre que o capitalismo plenamente desenvolvido tornou esta batalha pela realização algo mais complexo e gigantesco. Os monopólios estão dispostos a desembolsar fortunas, contratos que chegam a cifras de bilhões de dólares, para manter a massa de lucro em níveis aceitáveis.

A verdadeira dimensão ética do processo, um pouco distinta da crise de consciência de empresários nerds, é que o capitalismo subordinou toda a humanidade e o planeta ao processo de valorização e para mantê-lo está disposto a manipular comportamentos e hábitos, explorar brutalmente populações inteiras, principalmente crianças e mulheres, dilapidar os recursos naturais colocando em risco o planeta e a vida humana, impondo milhares de quinquilharias que satisfazem duvidosamente certas necessidades em grande parte criadas, além de continuar derrubando governos e fraudando eleições. O dilema particular das redes é apenas, neste cenário maior, um coadjuvante importante, mas está longe de ser o personagem principal da trama.

Daí a aparente ingenuidade das soluções propostas. A tentativa de controle, via regulamentações e marcos jurídicos é a vã ilusão de regularizar o processo de valorização por parâmetros éticos. Lembremos aqui a perfeita formulação de Mészáros que define tais ilusões como a tentativa de controle de um socio metabolismo incontrolável. O capital sobreacumulado, do alto de uma capacidade monumental de produção em massa, exige meios de realização à altura desta dimensão. Se isso envolver manipulação em massa, não há problema. O capitalismo é muito bom, mas podíamos ter evitado a escravidão, sei lá, talvez com regulamentações mais severas. Já antecipo o debate sobre o limite da manipulação, como induzir as compras de novo modelo de smartphone sem ferir a liberdade de escolha de quem prefere pombos-correio, além do sagrado direito de ir e vir do shopping center ou do pet shop.

O grande incômodo dos protagonistas entrevistados é a manipulação. Então, imaginam salvar a parte do negócio e dos “benefícios” para os usuários e regular o risco da manipulação que pode ameaçar a sociedade democrática e o mundo livre. Tanto o negócio, como os usuários precisam de um mundo fundado em indivíduos livres. O capital também. A ideologia é tão descarada que os realizadores não podem se quer atribuir a manipulação a uma evidente adesão no espectro político. A manipulação, as fake news, o desvirtuamento de comportamentos políticos, a radicalização, não são ligados à extrema direita, mas ao “extremo centro”. Seria cômico se não fosse trágico. O documentário, do ponto de vista político, é o real “extremismo de centro”.

Como alternativa resta o boicote, sair das redes, como professa o simpático nerd rastafári, Jaron Lanier. Esta é uma ilusão recorrente e típica de segmentos médios. Apesar de aparentemente radical ela é a aceitação de uma premissa falsa, qual seja, que o consumidor é o centro e o principal sujeito do ato econômico. Se entendemos que o problema reside na forma capitalista da mercadoria, consequentemente da alienação do trabalho elevado ao máximo, da subsunção da vida ao processo de valorização do valor, teríamos que boicotar não apenas as redes, mas os supermercados, a televisão, nossas roupas, alimentos, porque tudo, absolutamente tudo foi capturado pela mercadoria e pela lógica do capital. O capital e suas mercadorias precisam das necessidades humanas para parasitar em seus constantes ciclos de valorização. Marx constatou isso de forma peremptória ao afirmar que não há valor de troca sem valor de uso.

O que escapa a esses senhores e senhoras e sua saudável crise ética, é que podemos – e devemos – eliminar o valor de troca como forma de expressão do valor, sem com isso precisar abandonar o valor de uso. Deixemos as redes sociais por um momento. Posso gostar de tomar uma taça de vinho e quando ela se apresenta como mercadoria, preciso pagar o equivalente monetário de seu valor de troca para ter acesso a seu valor de uso. Mas como sou um comunista – consciente do fato de que as viniculturas são empresas que só objetivam o lucro e não minha felicidade – resolvo então me tornar abstêmio!

Resta saber se as redes têm outro valor de uso além do expresso como meio de captura de atenção e plataforma de publicidade dirigida. Me parece que sim.

Uma outra solução seria transformar os produtos do trabalho humano em objetos que satisfação necessidades humanas, produzidos na superação da escravizante subordinação dos indivíduos à divisão do trabalho, inclusive e principalmente a divisão entre trabalho intelectual e manual, de maneira que os indivíduos se desenvolvam em todos os sentidos, trabalhando de acordo com sua capacidade e recebendo de acordo com sua necessidade. Se você não sabe do que isso se trata, dê uma procurada no Google sobre o que é o comunismo. Como suspeito que você não vá encontrar lá a resposta, sugiro que você comece a comprar livros sobre o assunto. A leitura atenta destes teria, por exemplo, ajudado muito os entrevistados no documentário a entender o dilema em que se encontram.

***

Mauro Iasi é professor adjunto da Escola de Serviço Social da UFRJ, pesquisador do NEPEM (Núcleo de Estudos e Pesquisas Marxistas), do NEP 13 de Maio e membro do Comitê Central do PCB. É autor do livro O dilema de Hamlet: o ser e o não ser da consciência (Boitempo, 2002) e colabora com os livros Cidades rebeldes: Passe Livre e as manifestações que tomaram as ruas do Brasil e György Lukács e a emancipação humana (Boitempo, 2013), organizado por Marcos Del Roio. Colabora para o Blog da Boitempo mensalmente, às quartas. Na TV Boitempo, apresenta o Café Bolchevique, um encontro mensal para discutir conceitos-chave da tradição marxista a partir de reflexões sobre a conjuntura.

*Publicado originalmente no Blog da Boitempo





Conteúdo Relacionado