Cinema

Um limbo para refugiados

O penetrante 'Zaatari - Memórias do Labirinto' testemunha a vida num acampamento de refugiados sírios na Jordânia.

30/05/2019 13:39

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Créditos da foto: (Divulgação)

 
O acampamento de Zaatari, na Jordânia, recebe refugiados sírios desde 2012. O que era para ser temporário foi se transformando numa estrutura permanente, hoje equivalente a uma das maiores cidades da Jordânia, com mais de 80.000 habitantes. A necessidade de improvisar uma vida sem raízes e criar um simulacro de lar no meio do deserto é o que o brasileiro Paschoal Samora captou em Zaatari – Memórias do Labirinto.

Durante 30 dias ele testemunhou a vida de um punhado de famílias e personagens que vivem nesse limbo, sem poder retornar à terra natal ali tão próxima, nem ter vontade ou condições de prosseguir para outros destinos. Dois deles são pintores que decoram paredes de casas com as paisagens da Síria estimadas pelos proprietários. Outros aparecem tapando os olhos e evocando lembranças da vida anterior, das perdas de seu país e seus entes queridos.



Um vendedor ambulante, uma fotógrafa que ensina seu ofício para meninas, um diretor de teatro portador de deficiência física – todos têm histórias de superação e resiliência para contar. Samora os ouve, quase sempre numa voz off que recobre suas ações. Entra na intimidade de algumas famílias para melhor revelar como o provisório se tornou regular com o nascimento dos filhos, o cultivo de um jardim, a formação de uma comunidade.

A educação das crianças e a mulher prestes a dar à luz a quarta filha apontam para um sentido de futuro incerto, sem cenário à vista, quase uma abstração. Mas ao final, aqueles que tinham os olhos tapados os descobrem, como se para uma luz de esperança, ali mesmo ou em outro lugar.







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