Cinema

Verde do outro lado: a água é de todos nós

Documentário que vem aí alerta para as consequências da privatização da água no Chile, no Brasil e no mundo

14/08/2019 13:33

Cena de ''O verde está do outro lado'' (Reprodução/Youtube)

Créditos da foto: Cena de ''O verde está do outro lado'' (Reprodução/Youtube)

 
O verde está do outro lado é um filme de Daniel A. Rubio que está para ser lançado em rede no Brasil a partir do próximo dia 22 e cujo tema central versa em torno desta ideia: quase todo mundo sabe que o planeta Terra é 70% formado por água. E que mais de 97% dessa água é salgada; não potável – é a dos oceanos. Menos de 3% é doce, de lagos e rios.

O Brasil detém 12,5% da água doce do planeta. O percentual da água tratada para consumo, estatal ou privado, depende de cada país. No Chile, a privatização da água em 1981 levou a consequências econômicas drásticas, a uma crise hídrica sem precedentes, ao aumento da desigualdade social e da pobreza.

Mas na contramão da História da Economia, atualmente, o Brasil discute a privatização da água na Câmara dos Deputados.

Mas será que a população tem consciência da importância da água como riqueza natural para nossas vidas? E o que acontece quando um país entrega o controle de suas águas para empresas privadas?

A exploração da água como um bem reservado a poucos é destrinchada em O Verde Está do Outro Lado - Os donos da Água, longa de estreia de Rubio, a ser lançado no próximo dia 22, em São Paulo, Santos, Rio de Janeiro, Brasília, Curitiba, Salvador, Belo Horizonte, Recife e Porto Alegre.

Produzido pelo Chile e Brasil, o doc traça um paralelo entre as experiências dos dois países a partir da perspectiva da Província de Petorca, a 200 quilômetros de Santiago, e de Correntina, oeste da Bahia.

Rubio é fotógrafo, documentarista, diretor e produtor de projetos orientados por questões sociais e ecológicas. Ele trabalhou na produção, realização e direção de programas produzidos pela Television Trust for the Environment: A Posse, Land's Revolução, Collision Course, Winning Against AIDS, Looting the Pacific e Danger in the Dust, exibidos pela BBC World e outros canais - TVArte, France 5 e Article Z. É também autor do roteiro da atual produção que data do ano passado.

Entrevistas com moradores das duas regiões e mais ambientalistas e políticos "guiam" o longa que explora nuances econômicas e ambientais regendo as batalhas pela propriedade da água. Nele, são apresentados os efeitos da privatização da gestão da água vivida pelo Chile em 1981 e seus reflexos negativos quase quatro décadas depois.

Em Petorca, grandes empresas detêm a propriedade do líquido, e a falta de água para irrigação de plantações e para o próprio consumo humano leva pequenos agricultores e suas famílias ao sofrimento e à ruína.

E a realidade da cidade de Correntina, conhecida como a caixa d’água do Brasil, escancara um futuro pouco distante: grandes produtores de soja já foram responsáveis por extinguir 17 riachos na região, nos últimos 15 anos.

"O filme mostra o que acontece com um país em que o Estado deixa de ser o regulador e protetor dos recursos hídricos e delega essa gestão às empresas privadas. Essa imagem, esse microcosmos exibido e o que acontece na província Petorca, representa simbolicamente as mesmas condições na qual o planeta se encontra: uma grande concentração de riquezas nas mãos de uma minoria enquanto a grande massa vive endividada, ou na pobreza", enfatiza Daniel A. Rubio.

O longa traz para reflexão o fato de que só há transformação social e garantia de políticas públicas democráticas e efetivas com muita luta política e com apoio popular.

É importante assistir ao trailer de O Verde está do outro lado - Os donos da água (abaixo) neste atual momento político do país, considerando que o Aquífero Guarani, a segunda maior fonte de água doce subterrânea do planeta, com uma área de 840 mil quilômetros quadrados em território brasileiro, volta e meia é cobiçado por multinacionais.





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