Cinema

Viva o cinema brasileiro, viva a nossa cultura

Para a mostra principal do próximo Festival de Cinema de Cannes, com inicio dia 16 de maio, dois filmes brasileiros foram selecionados: 'Bacurau', de Kleber Mendonça e 'Vida invisível' de Eunice Gusmão, de Karim Ainouz. Em 'O traidor', de Marco Bellochio, o Brasil participa da produção

18/04/2019 17:21

Karim Ainouz e o elenco de 'A Vida Invisível de Eurídice Gusmão' (Reprodução)

Créditos da foto: Karim Ainouz e o elenco de 'A Vida Invisível de Eurídice Gusmão' (Reprodução)

 

Em meio a tantas notícias sombrias da política do (des)governo atual dedicada a destroçar a cultura brasileira, podar nossa criatividade e desqualificar filmes, espetáculos teatrais, literatura, música, manifestações populares e projetos coletivos admiráveis, cerceando-os de todos os modos, há notícias que vêm da França e animam a continuação da luta de resistência cultural em andamento.

O Festival de Cannes anuncia Bacurau, o novo e aguardado filme de Kleber Mendonça competindo no certame, na mostra principal, três anos depois do sucesso de Aquarius e 14 anos após a exibição de Vinil Verde na Quinzena de Realizadores.

A propósito, o diretor pernambucano acaba de escrever em seu perfil nas redes sociais: "Eu e Juliano Dornelles estamos em Paris, trabalhando dez horas por dia para terminar o filme". E publica uma imagem de sua equipe na Technicolor, em Boulogne, dias atrás, na terceira semana de mixagem, "onde nossos dois incríveis mixadores (Ricardo Cutz, brasileiro, e Cyril Holtz, francês) estão fazendo um trabalho e tanto para deixar esse filme soando bem aos ouvidos".


Kleber Mendonça e a equipe na Technicolor (Reprodução/Facebook)

"Penso hoje em Emilie Lesclaux, que fez um trabalho incrível no nosso maior filme até agora, Mulher de Cinema, na equipe do filme, nas cidades de Parelhas e Acari, no Rio Grande do Norte, na pequena Barra, que virou nossa 'Bacurau', e onde estávamos exatamente um ano atrás, filmando durante dois meses inesquecíveis. Eu, Juliano, meu grande amigo com quem escrevi cada página do roteiro e co-dirigi o filme. Penso no co-produtor Saïd Ben Saïd, nossa fantástica co-produção brasileiro-francesa, em Eduardo Serrano com quem montamos Bacurau por dez meses no Porto Midia, no Bairro do Recife, na fotografia de sol e noite de Pedro Sotero (e Ivo Lopes na segunda câmera), nosso elenco de mais de 50 atores e pessoas sensacionais, figurantes que nos emocionaram e entenderam o que significa trabalhar seriamente com Cultura, coletivamente".

"Todos juntos fizemos, acho eu, um retrato artístico do Brasil e do mundo externo. (...) Bacurau irá representar o Brasil internacionalmente num dos palcos mais prestigiosos do mundo da Cultura. Essa é uma representação que, felizmente, o dinheiro não compra".

"A Cultura Brasileira é de extrema importância para nosso país, seja como alimento para quem somos, seja como mercado. Bacurau e Vida Invisível; de Karim Ainouz, grande cineasta brasileiro, representam essa nossa cultura ao lado do novo filme do Marco Bellochio, co-produção brasileira, O traidor".


Cena de 'Bacurau', de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles (Divulgação)

Esta é a sinopse de Bacurau:  Um western brasileiro. Um filme de aventura e ficção científica. Daqui a alguns anos... Bacurau, um pequeno povoado do sertão brasileiro, dá adeus a Dona Carmelita, mulher forte e querida, falecida aos 94 anos. Dias depois, os moradores de Bacurau percebem que a comunidade não consta mais nos mapas.

Bacurau foi rodado no Sertão do Seridó, divisa do Rio Grande do Norte com a Paraíba, um ano atrás. As locações foram encontradas depois de a equipe percorrer mais de dez mil quidômetros em Alagoas, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte. As filmagens duraram dois meses e três dias, com uma equipe de 150 pessoas. As cidades de Parelhas e Acari serviram de base para a produção.

Sobre o filme, Juliano Dornelles, co-diretor e co-roteirista, diz: "Enquanto o roteiro se transformava, o país e nosso cotidiano também. Estrear em Cannes nesse ano de 2019 é dar um lugar de respeito ao Brasil, seu cinema e sua cultura".

Júlia Stockler e Carol Duarte em cena do filme 'A Vida Invisível de Eurídice Gusmão (Divulgação)

Outro representante da nossa cultura, este ano, em Cannes, é o novo filme de Karim Aïnouz, A vida invisível de Eurídice Gusmão’ que participará da mostra Un Certain Regard. O longa é uma livre adaptação do romance com o mesmo título, de Martha Batalha. Produção de Rodrigo Teixeira, da RT Features, em parceria com a produtora alemã The Match Factory. As atrizes Carol Duarte e Júlia Stockler interpretam as protagonistas do elenco. Nele, também estão os atores Gregório Duvivier, Barbara Santos e Maria Manoella. Fernanda Montenegro faz uma participação especial.

A vida invisível de Eunice Gusmão é um melodrama tropical sobre a cumplicidade entre mulheres, uma crônica da condição feminina no Rio de Janeiro dos anos 50, década marcada por um conservadorismo profundo. "É um filme que fala sobre amor, amizade e questões tão importantes para o Brasil de agora, colocando no centro das questões a condição da mulher através das duas protagonistas interpretadas por atrizes brilhantes", diz Rodrigo Teixeira.

A sinopse: As irmãs Guida e Eurídice são como duas faces da mesma moeda – irmãs apaixonadas, cúmplices, inseparáveis. Eurídice, a mais nova, é uma pianista prodígio, enquanto Guida, romântica e cheia de vida, sonha em se casar e ter uma família. Um dia, com 18 anos, Guida foge de casa com o namorado. Ao retornar grávida, seis meses depois e sem namorado, o pai, um português conservador, a expulsa de casa de maneira cruel. Guida e Eurídice são separadas para sempre e passam suas vidas tentando se reencontrar, como se somente juntas fossem capazes de seguir suas vidas.

Maria Fernanda Cândido em cena de 'O Traidor", de Marco Bellochio (Divulgação)

A terceira participação do Brasil em Cannes, mês que vem, é através do filme O traidor. Co-produção Itália-Brasil-Alemanha-França tem direção de Marco Bellocchio, foi selecionado para ser exibido na competição oficial concorrendo à Palma de Ouro. Foi filmado em parte no Brasil e conta com atores brasileiros no elenco.

É baseado na história de Tommaso Buscetta, o primeiro do alto escalão a se transformar em informante no caso do maxi processo contra a Cosa Nostra. Quando Buscetta muda para o Brasil, começa uma guerra de poder entre os clãs mafiosos, liderada pelo grupo da cidade de Corleone. Durante essa guerra interna Buscetta (Pierfrancesco Favino) é preso e deportado para a Itália. Incomodado com o rumo que a máfia tomou, distanciando-se dos seus princípios originais, ele faz um acordo com o governo italiano para denunciar seus antigos comparsas numa delação premiada. O inusitado: pela primeira vez na história, um membro da Cosa Nostra quebrou a lei do silêncio e revelou ao mundo o funcionamento interno da máfia italiana.

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