''Saber quem apertou o gatilho não é suficiente'', dizem parlamentares do PSOL

Bancada do partido estuda criação de CPI das Milícias na Câmara dos Deputados

13/03/2019 09:03

Vereadora assassinada foi homenageada em todos os estados do país no dia 8 de março (Nelson Almeida/AFP)

Créditos da foto: Vereadora assassinada foi homenageada em todos os estados do país no dia 8 de março (Nelson Almeida/AFP)

 
Após a prisão de um policial militar (PM) e um ex-PM, suspeitos do assassinato de Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes, a bancada de deputados federais do PSOL convocou uma entrevista coletiva para ressaltar a necessidade de se elucidar quem ordenou a execução da vereadora carioca.

O policial militar reformado Ronnie Lessa, de 48 anos, e o ex-policial militar Élcio Vieira de Queiroz, de 46 anos, foram detidos por uma força tarefa da Operação Buraco do Lume, composta por policiais da Divisão de Homicídios da Polícia Civil do Rio de Janeiro e por promotores do Ministério Público. A investigação do Ministério Público e da Polícia Civil aponta que os policiais são responsáveis pelo crime.

“Para nós é muito importante saber quem apertou o gatilho. Mas não é suficiente. É fundamental que o Estado brasileiro responda quem mandou executar Marielle Franco. Exigimos essa resposta”, afirmou Talíria Petrone, deputada pelo Rio de Janeiro. “Só haverá justiça quando soubermos quem foi o mandante”.

Marcelo Freixo, também deputado pelo Rio, pediu maior agilidade na apuração do crime e anunciou que a bancada do partido definirá na tarde desta terça-feira (12) a apresentação de um pedido de abertura de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar as milícias: “Independentemente de estar [diretamente] relacionado ou não com a morte de Marielle, políticos que tenham envolvimento com as organizações devem ser investigados", defendeu. “As milícias não acabaram porque ajudam muita gente – e ajudam a eleger algumas pessoas. O crime dá lucro. Lucro político”, acrescentou.

Freixo respondeu a questionamentos sobre a possível relação entre um dos detidos nesta terça-feira e Jair Bolsonaro, por conta de morarem no mesmo local. O parlamentar disse que o partido não fará qualquer “ilação”, mas que lamenta a postura do presidente e de seus familiares em não manifestar pesar em relação à execução de Marielle Franco.

Edição: Daniel Giovanaz

*Publicado originalmente no Brasil de Fato



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