Nota da Redação: sobre o negacionismo do Holocausto

16/11/2012 00:00

Nota da Redação

A Carta Maior recebeu de Antonio Caleari uma mensagem via correio eletrônico solicitando a publicação de um texto de resposta ao artigo “Negacionismo do Holocausto na USP”, de Sean Purdy, publicado nesta página no dia 13 de novembro deste ano, tratando de pesquisa e livro de autoria de Caleari. A Carta Maior preza o instituto do direito de resposta, mas, neste caso, não o publicará, porque não é de direito de resposta que se trata, pelas seguintes razões:

1. A Carta Maior é uma publicação cuja linha editorial é pautada por alguns princípios fundamentais. Um deles é não reconhecer a prática de “ouvir os dois lados”, quando um destes lados professa teses e ideias inconstitucionais, insustentáveis moralmente e propagandistas da intolerância. Assim, a Carta Maior reserva-se o direito de não abrir seu espaço para, por exemplo, defensores do nazismo, do fascismo, da pena de morte, do trabalho escravo e do genocídio de povos, sejam eles quais forem.

2. A Carta Maior reconhece a existência do holocausto como um dos crimes mais horrendos praticados na (e contra a) história da humanidade e deplora as teses revisionistas que buscam relativizar o que não pode ser relativizado ou mesmo negar o ocorrido. Neste sentido, não damos guarida aqueles que tratam esse tema apenas como “uma versão sobre um fato histórico”, ao lado de outras versões.

3. Em seu trabalho, criticado pelo artigo de Sean Purdy, e no texto enviado à Carta Maior, Caleari afirma, entre outras coisas, que pretende fazer uma “crítica da criminalização da negação do Holocausto”. Em nome da transparência que orienta nosso trabalho, afirmamos: não o fará nas nossas páginas.

4. A Carta Maior tampouco publica textos de defensores da política de opressão e ocupação territorial e militar pelo Estado de Israel contra o povo palestino. Não esquecer e não relativizar os crimes do nazi-fascismo são atitudes que determinam as nossas posições contra a repetição do horror na história.

5. Recusar a barbárie e enfrentá-la não é, decerto, o caminho mais fácil ou o mais cordial, mas é o único para não repetir, não denegar e não fechar os olhos aos ensinamentos fascistas que insistem em interpelar, do abismo antijurídico em que habitam, as expressões civilizatórias da humanidade.