Relator da ONU se reunirá com Julian Assange no dia 25 de abril

A visita se realizará após a denúncia apresentada pelo Equador sobre uma suposta violação da privacidade do presidente Lenín Moreno

07/04/2019 14:09

(Neil Hall/Reuters)

Créditos da foto: (Neil Hall/Reuters)

 
O Relator Especial sobre o direito à privacidade da Organização das Nações Unidas (ONU), Joseph Cannataci, se reunirá com o fundador do WikiLeaks, Julian Assange, no próximo dia 25 de abril na Embaixada do Equador, em Londres.

A visita foi providenciada após a denúncia do Equador ao departamento liderado por Cannataci do vazamento de documentos e fotografias do presidente equatoriano Lenín Moreno e sua família, delito que, segundo o mandatário, teria sido obra do WikiLeaks, e consequentemente de Assange.

Numa nota publicada pelo Departamento das Nações Unidas para os Direitos Humanos, foi informado que a visita servirá para determinar se, “à primeira vista”, existe um caso de violação da privacidade que justifique uma investigação mais ampla do tema.


No texto, também indicam que Cannataci solicitou ao governo equatoriano as informações adicionais sobre a denúncia apresentada.

Expulsão?

O tema de Assange tomou maior importância nesta semana, depois que o WikiLeaks assegurou que o Governo do Equador pretende expulsá-lo da Embaixada em Londres em “questão de dias, talvez horas”, para que possa ser posteriormente detido pelas autoridades britânicas.

Esta denúncia do WikiLeaks se deu após a acusação feita por Moreno contra o jornalista australiano. Os responsáveis pelo portal contestam as reclamações do mandatário, e dizem que elas foram uma reação desesperada ao surgimento de informações sobre um caso que supostamente incrimina o mandatário em atos de corrupção.

Na verdade, o caso que coloca Moreno em apuros se refere a uma investigação conhecida como “INA Papers”, onde fazem referência a documentos que mostram como a família de Moreno teria cometido delitos de corrupção, perjuro e lavagem de ativos através de várias empresas estrangeiras, como a offshore INA Investment.

Moreno repudiou as acusações e assegurou que quem criou essa companhia foi seu irmão, Edwin Moreno.

O chanceler equatoriano, José Valencia, qualificou como “infundados” os rumores sobre os supostos planos de expulsão de Assange.

Entretanto, o relator especial da ONU sobre a tortura, Nils Melzer, pediu ao governo equatoriano, nesta sexta-feira (5/4), que não expulsem Assange, já que se o fazem, ele ficaria exposto “a um risco real de violações graves dos seus direitos”.

*Publicado originalmente em actualidad.rt.com | Tradução de Victor Farinelli

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