Economia Política

Amazon: sobrepreço Prime

Relatório da organização 'Public Citizen' mostra que preços cobrados pela Amazon, em produtos essenciais, foram aumentados em até 1.000%, o que mostra a necessidade de uma nova lei federal

15/09/2020 16:07

(Jim Lo Scalzo/EPA-EFE/Shutterstock)

Créditos da foto: (Jim Lo Scalzo/EPA-EFE/Shutterstock)

 
WASHINGTON, DC - A Amazon elevou os preços pagos pelos clientes em uma ampla gama de bens essenciais - aumentando os preços de máscaras, papel higiênico e sabonete antibacteriano em até 1.000% - conforme mostrado em um relatório da organização Public Citizen divulgado hoje (10/9). O relatório documenta um padrão de aumentos de preços ultrajantes para produtos listados como “vendidos pela Amazon”, bem como para aqueles vendidos por terceiros.

“A Amazon enganou fundamentalmente o público, os responsáveis pela aplicação da lei e os legisladores nos aumentos de preços durante a pandemia”, disse Alex Harman, defensor da política de concorrência da Public Citizen e autor do relatório. “A Amazon culpou publicamente os vendedores terceirizados pelos aumentos de preços, continuando a aumentar os preços de seus próprios produtos e permitindo que esses vendedores aumentassem seus preços. Os fatos demonstram a necessidade de uma lei federal de manipulação de preços e da Amazon implementar grandes reformas em suas práticas de preços e forma de listar de produtos.”

Este relatório detalha 15 produtos essenciais que foram vendidos pela Amazon durante a pandemia COVID-19 com remarcações sobre o preço recente na Amazon.com ou outros varejistas nacionais que variam de 76% a mais de 1.000%, e 10 produtos essenciais adicionais, vendidos na Amazon por vendedores terceiros, durante o mesmo período, com margens variando de 225% a 941%. Aqui estão alguns dos aumentos de preços documentados no relatório:

. Um pacote de 50 máscaras descartáveis aumentou 1.000%;
. Sabonete líquido antibacteriano para as mãos aumentou 470%;
. Um pacote de 100 luvas descartáveis para as mãos aumentou 336%;
. Um pacote de oito rolos de papel higiênico de 1000 folhas aumentou 528%;
. Um pacote de oito toalhas de papel Brawny aumentou 303%;
. Um pacote com 8 sacos de 2 quilos de farinha não branqueada Pillsbury aumentou 425%;
. Uma caixa de meio quilo de açúcar de confeiteiro Domino aumentou 520%; e
. Um pacote de 200 gramas de amido de milho Clabber Girl aumentou em 1.010%.

Em 18 de março, todos os estados e territórios dos EUA declararam emergência em resposta à pandemia, disparando regras estaduais para sobrepreços em todo o país. A manipulação de preços é ilegal em cerca de 35 estados, com alguns deles proibindo aumentos relativamente pequenos como 10%. Mas a natureza das plataformas online, que transcendem as fronteiras dos estados, tornou a fiscalização da manipulação de preços cada vez mais difícil em nível estadual. E em junho, um tribunal federal em Kentucky decidiu que as leis estaduais de manipulação de preços são inconstitucionais porque tentam regular os preços fora do estado. Uma lei federal contra o abuso nos preços é urgentemente necessária, insiste a Public Citizen.

A Amazon apoia uma lei federal, mas apenas uma lei que a imunizaria de responsabilidade por fraude de preços por terceiros que vendem em sua plataforma. E, em vez de fiscalizar a fraude de preços em sua plataforma, como prometido no início da pandemia, a Amazon coordenou uma campanha de relações públicas tentando lavar as mãos da manipulação de preços, colocando a culpa inteiramente nos vendedores terceirizados.

A Public Citizen está pedindo uma lei federal que apresente uma definição clara e inequívoca de manipulação de preços; que inclua uma lista muito ampla de produtos, bens e serviços; que estabeleça penalidades civis significativas aplicáveis pela Federal Trade Commission e procuradores-gerais estaduais; que seja aplicável onde quer que ocorra distorção de preços na cadeia de abastecimento; e que seja aplicável durante a atual pandemia COVID-19, bem como em futuros desastres ou emergências de saúde.

A Public Citizen também está convocando a Amazon a implementar grandes reformas em sua lista de produtos e preços, incluindo:

- publicar um preço de varejo sugerido, preço médio e um link para o histórico de preços ao lado de cada item;

- limitar aumentos de preços em todos os produtos;

- encerrar a criação de novas páginas de produtos para produtos anteriormente listados;

- listar itens de embalagens múltiplas com preços de itens individuais e exigir que as embalagens múltiplas ofereçam um desconto de quantidade;

- separar os dados de listas de preços e análises de clientes para cada tipo de item em listas com variedades múltiplas; e

- a criação de um botão que permite aos clientes relatar uma lista de produtos ou problema de preços.

“A Amazon não é uma vítima da alta de preços em seu mercado - ela é a responsável”, acrescentou Harman. “O abuso de preços é uma exploração insidiosa dos mais vulneráveis, especialmente durante uma emergência nacional. Não há desculpa para a Amazon, uma das maiores e mais bem-sucedidas corporações da história, tirar vantagem de consumidores vulneráveis e assustados”.

*Publicado originalmente em 'Citizen.org' | Tradução de César Locatelli





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