Economia Política

Bolsonaro: privatizações e ajuste econômico

O ex-militar é o candidato preferido dos mercados, após reforçar seu perfil liberal em termos econômicos. Após sua vitória no primeiro turno, disse que reduzirá o número de ministérios e privatizará empresas estatais

09/10/2018 15:24

O programa econômico de Bolsonaro é coordenado pelo economista Paulo Guedes (Arte:Página/12)

Créditos da foto: O programa econômico de Bolsonaro é coordenado pelo economista Paulo Guedes (Arte:Página/12)

 

Privatizações das empresas estatais e redução de ministérios. O candidato mais votado no primeiro turno das eleições presidenciais do Brasil, o ultradireitista Jair Bolsonaro, tornou pública a sua intenção de diminuir o Estado se vencer o segundo turno, no dia 28 de outubro. “Reduzir o número de ministérios, extinguir e privatizar estatais. A política a serviço do brasileiro”, afirmou o deputado ultradireitista, em uma mensagem publicada ontem em sua conta de twitter.

Bolsonaro se transformou no candidato preferido dos mercados, reforçando seu perfil liberal na economia, cada vez mais evidente em seus discursos nas redes sociais, que são seu principal instrumento de campanha eleitoral desde que foi atacado no dia 6 de setembro, ficando quase um mês hospitalizado. Ao contrário de Bolsonaro, seu rival no segundo turno, Fernando Haddad, do Partido dos Trabalhadores (PT), é defensor de uma maior intervenção do Estado na economia, e prometeu derrubar todas as medidas de ajuste fiscal adotadas pelo atual presidente, Michel Temer, para sanear as contas públicas, cujo déficit é considerado a maior ameaça à economia brasileira.

Em sua mensagem pelo twitter na noite de segunda-feira (8/10), o ultradireitista também afirmou que pretende combater as supostas fraudes no Bolsa Família, um programa de distribuição de subsídios aos mais necessitados, que é a principal política social dos governos do PT. Entretanto, assegura que o fará para que quem precisa possa ter o seu benefício ampliado. O deputado também prometeu, no caso de ser eleito chefe de Estado, descentralizar o poder e dar uma maior força econômica aos estados e municípios.

A principal proposta do programa econômico de Bolsonaro, coordenado pelo economista Paulo Guedes – um ultraliberal da conhecida Escola de Chicago – é a redução da dívida pública em 20%, mediante privatizações e concessões ao setor privado. Outra de suas prioridades é eliminar o déficit público, e para isso pretende reformar o regime de aposentadorias.

Diante de tais propostas, a possibilidade de vitória de Bolsonaro levou a bolsa de São Pablo a subir com força nos últimos dias, fazendo com que o dólar também caísse, com um mercado animado com a sua agenda liberal. Após a vitória do ex-militar no primeiro turno, a bolsa paulista operou com uma importante alta de 6% e o dólar caiu a 2,64%, chegando ao seu menor nível desde agosto.

O guru econômico de Bolsonaro será uma espécie de “super ministro”, caso o líder ultradireitista consiga se impor no próximo dia 28. Assim, uniria sob o seu comando as atuais pastas da Fazenda, Indústria, Comércio, Planificação e a secretaria encarregada de Associações e Investimentos do Estado.

A visão de Estado de Guedes é clara: quanto menor melhor. Formado no Brasil mas moldado no berço do liberalismo econômico moderno – a Universidade de Chicago, onde fez seu mestrado e doutorado –, Paulo Guedes sempre foi um ativo promotor do credo neoliberal: abertura econômica, redução de impostos e simplificação da estrutura fiscal.

O assessor econômico é partidário de uma transição do atual sistema de aposentadorias a um regime de capitalização individual. Um modelo similar ao do Chile, onde o assessor de Bolsonaro foi professor nos Anos 80, durante a ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990).

*Publicado orginalmente no Página/12 | Tradução de Victor Farinelli

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