Economia Política

Coronavírus cria maior incerteza econômica em décadas

A divergência das previsões de crescimento global aumentou dramaticamente, diz o BofA

20/04/2020 21:31

 

 
A perspectiva econômica global é a mais sombria da história moderna, com incertezas sobre qual será o impacto final do surto de coronavírus, causando divergências gritantes entre as previsões dos analistas.

A dispersão nas estimativas macroeconômicas é a maior desde pelo menos a década de 1960, segundo o Bank of America. Citando o líder revolucionário russo Vladimir Lenin, os analistas do BofA disseram: "Há décadas em que nada acontece e há semanas em que décadas acontecem".

Na semana passada, o FMI previa que a economia global passaria de uma taxa de crescimento de 2,9% em 2019 para uma contração de 3% neste ano. Isso está abaixo de uma previsão no final de janeiro de uma expansão de 3,3% e constituiria a recessão mais severa desde a Grande Depressão da década de 1930.

O FMI alertou que a crise deste ano, que apelidou de o" Grande Isolamento", também deixará cicatrizes econômicas mais persistentes do que muitos analistas esperam. "Ainda existe uma incerteza considerável em torno da previsão, da própria pandemia, de suas consequências macroeconômicas e das tensões associadas nos mercados financeiro e de commodities", afirmou o fundo.

No entanto, governos e bancos centrais fizeram esforços extraordinários para reduzir os danos econômicos. Os legisladores dos EUA aprovaram um pacote de estímulo de US$ 2 bilhões, que levou ao maior e mais rápido aumento dos gastos públicos dos EUA em relação ao Produto Interno Bruto em tempo de paz, de acordo com o BofA.

"A principal lição de 1929 e 2008 é que ações políticas grandes e rápidas são essenciais para evitar [uma] depressão", afirmou o banco em um relatório. “Medidas ‘com direcionamento pré-definido’ fedem a austeridade sovina; somente a generosidade abundante e indiscriminada pode ‘achatar a curva’ das falências pessoais e corporativas".

Os analistas disseram que os EUA "aprenderam essa lição".

*Publicado originalmente em 'Financial Times' | Tradução de César Locatelli



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