Economia Política

Dívida sobe a R$ 737 bilhões; governo prevê estabilização

18/02/2004 00:00

São Paulo – A dívida interna do governo federal em títulos atingiu R$ 737,3 bilhões em janeiro, um aumento de 0,8% em relação a dezembro. Segundo relatório do Banco Central divulgado nesta quarta-feira (18), a expansão ocorreu por causa da incorporação de juros ao principal e pela desvalorização do real, que afetou a parcela da dívida indexada ao dólar – o dólar abriu janeiro a R$ 2,88 e fechou-o a R$ 2,94.

Apesar da elevação, o governo enxergou o resultado com otimismo. Para Paulo Valle, coordenador da dívida pública do Tesouro Nacional, a tendência da dívida é de estabilização e, ao longo de 2004, redução. “No ano passado, já houve certa estabilização, e todas as nossas projeções indicam uma tendência de queda agora em 2003", disse ele, em entrevista à Agência Brasil.

Em 2004, o governo deve continuar seu esforço para aumentar a fatia da dívida pré-fixada e reduzir a indexada ao câmbio. Essas medidas aumentam a previsibilidade da administração da dívida e diminuem a vulnerabilidade externa, respectivamente. O montante balizado no dólar vem caindo desde maio do ano passado – era de 30,66% e recuou para 21,03% em janeiro. No mesmo período, a parcela pré-fixada subiu de 3,27% do total para 12,57%.

O economista Paulo Gomes, da Global Invest, vê com bons olhos essa tendência, mas afirma que nos últimos dias houve piora em indicadores que influenciam a dívida. “Elogio o retrato, mas não o filme”, diz ele. O que mais preocupa é o chamado “risco político”, que cresceu com as denúncias de corrupção envolvendo Waldomiro Diniz, ex-assessor do ministro da Casa Civil, José Dirceu.

“A tensão em Brasília fez a procura de bancos por hedge (proteção contra as variações cambiais) aumentar 37% nesta quarta”, afirma Gomes. Essa elevação da demanda foi um dos fatores que impulsionaram a quarta alta seguida da moeda norte-americana. O dólar subiu 0,82%, e fechou o dia cotado a R$ 2,942 para venda. Diante dessa volatilidade, Gomes não aposta em queda da dívida em 2004, mas sim em estabilidade.

Outro dado que não “ajuda” a dívida é a taxa básica da economia, a Selic. Nesta quarta, o Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) anunciou sua manutenção em 16,5%, pelos próximos 30 dias. Essa decisão, já esperada pelo mercado, não desafoga a parcela da dívida indexada à Selic, que foi de 51,05% em janeiro.

A decisão revela que os membros do Copom ainda estão preocupados com a alta da inflação, apesar de os últimos indicadores terem se mantido em níveis comportados. O IPC (Índice de Preços ao Consumidor), calculado pela Fipe, recuou para 0,26% na segunda quadrissemana de fevereiro, ante 0,65% no fechamento de janeiro e 0,46% na semana passada.

 


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