Economia Política

Emprego e renda em baixa mesmo antes do COVID-19

 

10/05/2020 15:00

 

 
Como já visualizados nos dados fornecidos pela PNAD-C e CAGED no final de 2019 (ver https://opamet.com.br/wp49/boletins/), já se observava que o quadro conjuntural no início de 2020 apresentava um conjunto complexo de fatores, cuja interação aprofundava os limites da frágil economia brasileira e nos levava, a mais profunda crise econômica, social e humanitária da história da República.

Os dados agora divulgados pelo IBGE (https://sidra.ibge.gov.br/home/pnadcm) confirmam a analise que apresentamos e estabelecem tons de dificuldade no horizonte econômico e social brasileiro. A taxa de desocupação do trimestre (jan-fev-mar 2020) por mais que seja menor quando comparada com o mesmo trimestre de 2019 (jan-fev-mar) (12,7%), porém é superior ao trimestre móvel anterior (11,6), o que consolida a perspectiva de que não haveria retomada econômica e que provavelmente se manteria a rigidez da desocupação característica do atual ciclo econômico.

Taxa de desocupação (Pessoas de 14 anos ou mais de idade) - Brasil


Fonte: IBGE/SIDRA, 2020 (https://sidra.ibge.gov.br/home/pnadcm).

Assim, o Covid-19 vem tornar ainda mais aguda a crise, sendo os números da PNAD-C reveladores da precariedade do emprego na atual conjuntura brasileira. A evolução da taxa de desocupação refere-se a um salto de mais de um milhão de pessoas nesta condição, o que nos mostra que 12,8 milhões de trabalhadores já se encontravam desocupados antes da crise sanitária. Por outro, atestado da precariedade das relações de trabalho nacionais é que mais de 41 milhões de trabalhadores se encontram sob uma das condições de informalidade, sendo decrescente o número de trabalhadores com carteira assinada.

Indicadores de Ocupação (Brasil)


Fonte: IBGE/SIDRA, 2020 (https://sidra.ibge.gov.br/home/pnadcm).

Considerando o quadro grave que se instalou com a crise sanitária, vale reforçar as consequências apontadas:

i) O declínio da demanda por commodities agrícolas e minerais, impactando tanto o agronegócio, quanto a indústria extrativa mineral, atingindo o coração do padrão de reprodução de especialização primário exportador e consequentemente o nível de emprego da economia brasileira como um todo.

ii) A paralisia, quase inevitável, de segmentos do setor produtivo e de serviços, agravará sensivelmente o desemprego e a piora dos indicadores macroeconômicos, sendo que a presença de um torniquete fiscal do tipo EC 95/16 torna extremamente frágil as ações do Estado.

iii) Na medida em que parcela considerável dos pequenos e médios negócios que são os grandes empregadores no Brasil não dispõe de condições de crédito ou capacidade de sobrevivência numa crise de demanda do tipo que se avizinha (medidas de “isolamento social” necessário a não projeção do contágio), há de se prever um cenário agudo de penalização social. Ainda neste aspecto deve-se observar que a informalidade abriga a grande maioria dos trabalhadores brasileiros, a impossibilidade de exercício destas atividades informais constituirá a mais grave crise social que já passamos.

José Raimundo Trindade é Coordenador do OPAMET

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