Economia Política

Especulação "comum" sobe 160%; brasileiro tem R$ 5,7 bi da dívida

27/06/2011 00:00

André Barrocal

BRASÍLIA – Um grupo de 245 mil brasileiros comuns controla hoje, sem intermediação de bancos ou qualquer outra instituição financeira, mais de R$ 5 bilhões da dívida federal em títulos públicos negociados no “mercado”. Esse tipo de transação, que é feita pela internet e o governo há anos tenta incentivar para conseguir baixar minimamente o juro que paga ao rolar a dívida, está explodindo na gestão Dilma Rousseff.

De dezembro a maio, a dívida federal com os "especuladores comuns" cresceu 160%. Passou de R$ 2,2 bilhões para R$ 5,7 bilhões. Em 2011, 31 mil brasileiros entraram para o altamente rentável (para quem investe, não para o Estado que paga a conta) negócio da dívida, segundo a Secretaria do Tesouro Nacional. No fim do governo Lula, 214 mil indivíduos participavam do chamado Tesouro Direto.

“É um bom instrumento para a aposentadoria e reservas futuras. Uma boa opção de investimento”, diz o coordenador-geral de operações da dívida pública, Fernando Garrido. Ele também atribui a expansão do Tesouro Direto ao noticiário da imprensa e ao esforço do próprio governo de divulgar esse tipo de aplicação.

Apesar crescimento acelerado do Tesouro Direto, ele representa uma fatia ínfima da dívida pública total em títulos negociados dentro do Brasil. A dívida era de R$ 1,6 trilhão no fim de maio.

O governo estimula esse tipo de negócio para, na linguagem técnica do Tesouro, tentar melhorar o perfil da dívida. Tradução: procura colocar na praça títulos com juros menores e prazos de pagamento maiores, tudo o que não interessa aos grandes especuladores.

Segundo Garrido, o brasileiro comum que compra títulos comporta-se de modo diferente dos capitalistas graúdos (banqueiros, fundos de investimentos). Aceita com mais facilidade papéis cujo lucro não está atrelado diretamente ao juro do Banco Central. Prefere os vinculados à inflação. Topa prazos de pagamento mais dilatados.

O Tesouro Direto foi criado em janeiro de 2002. Para investir, a pessoa não precisa operar por intermédio de um banco, ou seja, não paga taxa de administração em caso de lucro. Relaciona-se diretamente com a Secretaria do Tesouro pela internet. Recolhe apenas uma taxa para que a operação seja concluída. No fim de 2002, cinco mil brasileiros tinham aplicado R$ 73 milhões em títulos.

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