Economia Política

FMI apoia controle de capitais pelo Brasil mas vê risco de 'contorno'

04/08/2011 00:00

André Barrocal

BRASÍLIA – O Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgou nesta quarta-feira (03/08) um relatório sobre o Brasil no qual manifesta apoio às medidas que o governo vem adotando contra a enxurrada de dólares em direção ao mercado financeiro do país. O documento diz, no entanto, que alguns diretores do FMI consideram que estas medidas podem ser “contornadas”, desconfiança que o presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, rebateu nesta quinta-feira (04/08).

O relatório afirma que a diretoria do Fundo reconhece o “uso pragmático”, pelo Brasil, de medidas que produzem algum controle de capitais. E que a maioria considera “apropriado” que elas sejam empregadas. “As diversas medidas implementadas pelas autoridades para administrar o fluxo de capitais têm pouco a pouco surtido algum efeito em moderar o estímulo à entrada de recursos”, diz o texto.

A principal ação do governo até agora foi aumentar a cobrança de imposto na entrada de dólares no país. Economistas sem ligação com o “mercado” acham que esse mecanismo é tímido para conter a invasão de capitais, já que o ganho deles com juros no sistema financeiro é grande. O ideal seria dificultar a saída dos dólares.

No documento, que afirma que o Brasil pratica “elevadas taxas de juros”, o fundo diz que alguns de seus diretores “advertem” que as medidas adotadas pelo governo podem ser “contornadas”.

O texto não diz como o drible poderia ocorrer, mas uma hipótese que costuma ser levantada em debates sobre o tema seria uma espécie de camuflagem do dólar. O dinheiro viria ao Brasil na forma de investimento direto (na economia real), em vez de declarar que vem ao mercado financeiro.

A suspeita tem amparo em dados oficiais. No primeiro semestre, os investimentos estrangeiros diretos somaram US$ 32 bilhões, duas vezes e meia o valor registrado no mesmo período de 2010.

Quando se observa apenas o movimento de dinheiro entre filial e matriz das multinacionais, em operações chamadas de “empréstimos intercompanhias”, a evolução é maior. De janeiro a junho de 2010, esse movimento tinha sido negativo em US$ 160 milhões. Agora, está positivo em mais de US$ 6 bilhões.

Em entrevista nesta quinta-feira (04/08) a um programa de rádio organizado pela Secretaria de Imprensa da Presidência que toda semana ouve uma autoridade do governo, o presidente do Banco Central negou que possa estar havendo tal tipo de “contorno”. Segundo Alexandre Tombini, o BC não está vendo “nada de extraordinário” na evolução dos investimentos estrangeiros diretos.

Para o BC, o ingresso de dólares têm sido alimentado pelo crescimento da economia brasileira, que atrai empresas que não encontram as mesmas oportunidades de lucros nos países ricos.

No documento, o FMI diz que “o Brasil continua a ser um dos destinos prediletos dos investidores internacionais”, por causa de “perspectivas econômicas favoráveis e rendimentos elevados”.


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