Economia Política

Investimento estrangeiro bate recorde até junho; Brasil foi 5°em 2010

26/07/2011 00:00

André Barrocal

BRASÍLIA – Com a economia dos países desenvolvidos patinando desde a crise financeira mundial de 2008/2009 e a recuperação mais acelerada dos emergentes, o Brasil tornou-se um paraíso para estrangeiro em busca de lucros. No ano passado, o país saltou 15 posições e entrou para o time dos cinco que mais receberam investimentos direcionados à chamada economia real. Agora em 2011, vê as aplicações explodirem e atingirem recorde no semestre.

De janeiro a junho, o investimento das multinacionais em indústria, serviços e agropecuária cresceu 168% e somou US$ 32 bilhões, segundo dados divulgados nesta terça-feira (26/07) pelo Banco Central (BC). Nunca um primeiro semestre registrara tamanho ingresso de investimentos diretos. Até dezembro, pelo menos mais US$ 23 bilhões virão ao Brasil, na previsão do BC, o que estabeleceria novo recorde histórico.

Até agora, o melhor resultado foi verificado no ano passado, com US$ 48 bilhões. Esta quantia fez do Brasil o quinto país que mais recebeu investimentos estrangeiros diretos em 2010, de acordo com ranking divulgado também nesta terça-feira (26/07) pela agência da Organização das Nações Unidos (ONU) responsável por comércio e desenvolvimento, a Unctad.

Os quatro primeiros colocados do ranking são Estados Unidos (US$ 228 bilhões), China (US 106 bilhões), Hong Kong (US$ 69 bilhões) e Bélgica (US$ 62 bilhões). No total, a Unctad diz que US$ 1,2 trilhão circulou pelo mundo na forma de investimentos no ano passado.

Na avaliação do governo brasileiro, a entrada maciça de investimentos diretos, que são diferentes daqueles dirigidos ao “mercado” financeiro à procura de lucros com altas taxas de juros, decorrem da oportunidade de ganhos para filiais de multinacionais. Por isso, o envio de lucros para o exterior também têm atingido patamares elevados, embora inferior às entradas.

De janeiro a junho, segundo o BC, as remessas aumentaram 25% e alcançaram US$ 18 bilhões, outro valor recorde. Até o fim do ano, a cifra deve dobrar e fechar em US$ 37 bilhões, nas estimativas do banco. Em 2010, a remessas de lucros foi de US$ 30 bilhões.

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