Economia Política

"Na Islândia, um exemplo do que acontece se realmente elegemos mulheres".

A Islândia começou o ano novo se tornando o primeiro país no mundo a exigir que todas as suas empresas paguem homens e mulheres igualmente. Políticos esperam que a ação ajude o país a encerrar por completo a diferença salarial até 2020

08/01/2018 12:20

 

Julia Conley, Common Dreams


A Islândia começou o ano novo se tornando o primeiro país no mundo a exigir que todas as suas empresas paguem homens e mulheres igualmente. Seguindo anos de leis promovendo o pagamento igualitário, os contratantes que falharem em garantir a paridade salarial serão sujeitos a multas, graças a uma lei aprovada na primavera passada que entrou em efeito na segunda-feira.
“Já tivemos leis que diziam que o pagamento deveria ser igual para homens e mulheres por décadas mas ainda existia uma diferença de pagamento”, disse Dagny Osk Aradottir Pind da Associação de Direitos das Mulheres Islandesas ao Al Jazeera. “Conseguimos despertar atenção e chegar a um nível no qual as pessoas entendem que a lei que temos em vigor não funciona, e que precisamos fazer mais”.
Com a nova lei, as empresas que empregam mais de 25 pessoas terão que provar ao governo que estão cumprindo a paridade salarial. Políticos esperam que a ação ajude o país a encerrar por completo a diferença salarial até 2020.

A Islândia é admirada há tempos por progressistas como um modelo de igualdade de gênero, preenchendo quase 50% de seus assentos no parlamento com mulheres. Apoiadores da nova lei dizem que ela não teria passado sem a forte presença das legisladoras mulheres.
Nos últimos nove anos, a pequena ilha tem sido a maior nação em termos de igualdade de gênero de acordo com o relatório global de diferença de gênero do Fórum Econômico Mundial. O país conseguiu fechar essa diferença em cerca de 10% desde que o relatório foi inicialmente coletado em 2006, de acordo com pontuações do Fórum que incluem empoderamento político, oportunidade econômica e acesso à educação, bem como as remunerações.
Enquanto a Islândia triunfa em seus objetivos de paridade de gênero, a diferença salarial dos EUA tem se estreitado com o tempo, com as mulheres ganhando 83% dos salários dos homens. Os EUA estão na posição 49 na lista do Fórum; e menos de 20% dos membros do seu Congresso são mulheres.
De acordo com a Associação Americana de Mulheres Universitárias, com a taxa atual de diferença salarial se estreitando, as mulheres norte-americanas terão que esperar até 2119 para serem pagas igualmente aos homens. A administração Trump tem mostrado pouco interesse em melhorar essa diferença, com o presidente suspendendo uma exigência da era Obama de que os empregadores tinham que fornecer ao governo dados sobre paridade salarial em suas empresas.
Apoiadores parabenizam a Islândia em seu novo sistema enquanto lamentam a falha dos EUA em seguir os mesmos passos.
“Temos que seguir o exemplo de nossos irmãos e irmãs da Islândia e exigir pagamento igualitário para trabalho igualitário, independente de gênero, etnicidade, sexualidade ou nacionalidade”, disse o senador Bernie Sanders (Independente-Vermont) em sua página no Facebook.
 
 





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