Economia Política

Legisladores chineses devem se atentar aos buracos econômicos

Lidar com uma economia desacelerada e com as consequências da guerra comercial serão prioridade quando a Conferência de Trabalho Econômico Central começar

19/12/2018 11:08

A economia da China enfrentará mais do que alguns solavancos ao longo de 2019 (iStock)

Créditos da foto: A economia da China enfrentará mais do que alguns solavancos ao longo de 2019 (iStock)

 

Política, política e mais política. Enterrada debaixo da trégua da guerra comercial e do drama judicial de Meng Wanzhou está uma reunião crucial que irá determinar a estratégia econômica da China pelos próximos 12 meses.

Suavizar os solavancos na estrada, que desaceleraram o crescimento, estará no topo da agenda quando os ‘sábios homens’ de Pequim mostrarem seu plano de 12 meses na influente Conferência no Grande Salão do Povo nessa semana.

A equipe do president Xi Jinping vai encarar um difícil ato de equilíbrio.

“O pior ainda está por vir”, disse Sue Trinh, chefe da Asia FX Strategy do RBC Capital Markets em Hong Kong, à Bloomberg. “Os legisladores ficarão muito preocupados, particularmente com o crescimento do consumo indo abismo à baixo.”

Confrontado com uma gama de dados apontando para uma retração na atividade manufatureira e nos gastos de consumação, é esperado que o governo do Partido Comunista se escore no setor privado que batalha para sobreviver.

Cortes nos impostos também estão previstos para os consumidores de classe média tão fustigados pelos salários estagnados e os preços em ascensão.

Junto com a venda de carros em aquecimento relativo, um mercado imobiliário se resfriando e baixo crescimento de crédito, os problemas estão se amontoando para a administração de Xi.

Esses são, em parte, subprodutos do conflito commercial entre os EUA e a segunda maior economia do mundo, que repercutiu e envolve a gigante de telecomunicações Huawei e sua chefe financeira Meng.

Mas, talvez, a maior preocupação de Pequim seja a enorme dívida local do governo.

Soluções criativas

“A extensão de empréstimos extra-oficiais do governo local não é conhecida, mas pode ser tão alta quanto 40 trilhões renminbi (US$5.78 trilhões)”, declarou a S&P Global Ratings em um relatório de outubro. “É uma dívida gigante com enormes riscos de crédito.”

Lidar com essas questões exigirá soluções criativas e ousadas, de acordo com Wei Jianing, pesquisador do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento do poderoso Conselho de Estado.

Falando em uma conferência acadêmica sobre comércio internacional e governância global na Universidade Tsinghua, ele pediu por “reformas aceleradas” para estimular o setor privado e um novo round de “emancipação ideológica”.

“Sem reforma, o espaço para o controle macroeconômico funcionar será menor. A relação entre reforma institucional e abertura também deve ser considerada. A condição de que a abertura forçaria uma reforma mudou. A reforma deve ser acelerada”, disse Wei.

“Toda vez que temos uma dificuldade econômica, novas ideias surgem para estimular reformas. Se a China pode ter o aniversário de 40 anos da abertura como uma oportunidade para lançar um novo round de emancipação ideológica, outro round de reformas e aberturas ocorrerá, estimulando novo crescimento econômico”, ele adicionou.

Políticas que favorecem companhias estatais devem ser revisadas para nivelar o campo posto que as alternativas estão drásticas. Falhar em pressionar por um novo e refinado plano pode até ameaçar a “estabilidade social”.

Em um alerta brusco de que a abordagem econômica do país precisa mudar, Wei falou profundamente sobre gastos reduzidos com consumo, que se tornou um grande condutor de crescimento.

“O consumo tem decaído”, ele disse. “Gastos públicos diminuíram, enquanto o consumo doméstico não viu aumento. Consumo doméstico na China é principalmente conduzido pelos gastos excessivos dos jovens que os levam às dívidas.”

Economia mais ampla

“Para piorar, a taxa de crescimento do rendimento de impostos superou o crescimento do consumo doméstico. O rendimento total não cresceu nos lares chineses”, adicionou Wei.

O efeito dominó já teve impacto na economia mais ampla, alimentando medos do aumento do desemprego entre os jovens que buscam emprego.

Tartar detalhadamente esse dilemma deve ser a prioridade para os legisladores com apontamentos de Wei:

“A taxa de crescimento potencial está, de fato, caindo. É altamente possível que a taxa de crescimento real do PIB na China já esteja abaixo do índice potencial. Isso significa que o desemprego logo se tornará um problema impactando a estabilidade social.”

“Esse tipo de ameaça toma formas diferentes em países diferentes. Jovens desempregados em muitos países ocidentais vagam por aí. Mas na China, muitos jovens desempregados ficam em casa e navegam na internet, então qualquer rumor online pode ser perigoso.”

“Se as pessoas estão ocupadas no trabalho, é mais díficil para elas fazer barulho por coisas pequenas na internet, como o diretor da Universidade de Peking pronunciando uma palavara errada.”

Os apontamentos de Wei ilustram as armadilhas à frente, bem como destacam as visões de uma parte do Conselho de Estado, o gabinete official do governo.

Para os ‘homens sábios’ na Conferência, planejar um caminho entre os solavancos da estrada deve envolver certamente a mudança de equipamento se quiserem evitar a paralisia da economia.

*Publicado originalmente no Asia Times | Tradução de Isabela Palhares

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