Economia Política

Riqueza financeira per capita estagnada em 2018

 

26/11/2018 10:30

 

 
O COPOM (Comitê de Política Monetária) tinha fixado a Selic-meta em 14,25% aa desde 29/07/2015. Sob a presidência do ex-economista chefe do Banco Itaú, a partir do golpe na Presidenta eleita em 12 de maio de 2016, ele a manteve até 19/10/2016, em que pese a taxa de inflação estar caindo desde janeiro daquele ano. Caiu de 10,7% para 7,8% em outubro no acumulado em 12 meses. O IPCA mensal de setembro de 2016 já tinha atingido 0,08%, quase zero de inflação.

Daí face à Grande Depressão o COPOM se apressou para tirar o atraso, baixando até 6,5% aa em 21/03/2018. O IPCA já estava no centro da meta anual (4,57%). Em que pese o corte da taxa de juro, a taxa de inflação continuou caindo até 2,45% em agosto de 2017. Depois voltou a subir, mas se manteve abaixo do teto da meta.

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A demora em cortar a taxa de juro elevou muito a concentração da riqueza financeira. Os clientes Private Banking ganharam em média per capita quase um milhão de reais em 2016, mais quase 800 mil reais em 2017. No ano corrente, até setembro, estão tristes, tristinhos... Ganharam só R$ 256 mil, veja só! Só ¼ de milhão de reais em nove meses! Que pobreza! Miserê...

Cada um dos seus 58.258 grupos familiares possui quase 18 milhões de reais em saldo médio. Os 123.370 clientes do Private, cada qual com R$ 8,466 milhões só não tem mais motivo para se queixar em relação à baixa classe média, pois os 7,5 milhões clientes do varejo tradicional tem a riqueza financeira média per capita caindo desde 2016. Cada qual tem pouco mais de R$ 46 mil reais em investimentos financeiros.

E a classe média alta, isto é, os 4 milhões clientes do varejo de alta renda? ‘Tadinha, perdeu R$ 758 até setembro, um belo jantar para “quem come angu e arrota peru”! Tem em média per capita pouco mais de R$ 181 mil.

Se você for mau, estará pensando: “bem feito, provavelmente votaram no ele-não! Têm de perder dinheiro prá deixar de serem burros!”

Infelizmente, a realidade é mais complexa. Nestas contas só considerei aplicações em Fundos de Investimentos Financeiros e Títulos e Valores Mobiliários. Então, desprezei os depositantes de poupança como fossem “párias” excluídos da economia financeira. Existem 62 milhões com depósitos acima de R$ 100, com saldo médio per capita de R$ 11.434,14, e 78,7 milhões com depósitos inferiores a R$ 100 com saldo médio de R$ 15,07.

Então, entendeu nem a miséria nem a riqueza dar inteligência política? Só estudando em Escola Com Ciência se ganha consciência.



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