Economia Política

Desemprego cai com Lula, mas economistas se dividem sobre mérito do governo

17/10/2006 00:00

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SÃO PAULO - O desemprego aberto caiu entre 2003 e 2005, depois de haver crescido continuamente durante a gestão de Fernando Henrique Cardoso, durante a década de 1990. Tanto os dados do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) quanto do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) apontam na mesma direção.

A pesquisa do IBGE mostra que, entre 1995 e 2001, durante a gestão de Fernando Henrique, o desemprego aberto cresceu 35%. No último ano do governo tucano, o índice de desemprego foi de 11,68% por ano em média. Já em 2005, a média anual do desemprego recuou para 9,83%.

Os dados da PED-Dieese (Pesquisa de Emprego e Desemprego) para a região metropolitana de São Paulo apontam um aumento de 35,7% do desemprego aberto entre 1994 e 2002, anos da gestão tucana. Os piores índices estão em 1997, quando o desemprego foi de 10,16%; em 1999, quando a taxa saltou para 12,06%; em 2002, cujo índice foi de 12,12%; e em 2003, o pior patamar, com 12,72% dos trabalhadores desempregados.

Entre 2002 e 2005, de acordo com a pesquisa, o desemprego aberto recuou cerca de 13%. Passou de 12,72% em 2003, para um índice de 11,76% em 2004 e então para 10,55% em 2005. Para o economista Clemente Ganz Lúcio, diretor técnico do Dieese, a queda é contínua e sustentável. “Caminhamos para fora do fundo do poço”, diz ele.

Desemprego
Na avaliação do diretor do Dieese, o governo de Lula adotou medidas para frear o desemprego que faltaram ao governo anterior, como a defesa dos interesses nacionais com relação ao comércio exterior. Em 2005, por exemplo, as exportações renderam US$ 118,3 bilhões ao PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro, quase o dobro do rendimento no último ano do governo de Fernando Henrique Cardoso, que foi de US$ 60,4 bilhões em 2002.

“O Brasil, hoje, é menos vulnerável a uma crise internacional do tamanho daquela de 1997”, diz Ganz, referindo-se à quebra dos países chamados “tigres asiáticos”. Para ele, ainda falta assentar a economia nacional em um mercado interno sólido. “Faltam ajustes macro e microeconômicos que nos façam menos dependentes das exportações”, avalia.

O professor de Economia da Unicamp Márcio Pochmann é menos otimista. “Não identifico uma política pública explícita para gerar emprego no país”, diz ele, que foi secretário do Trabalho da prefeitura de São Paulo, durante a gestão de Marta Suplicy. Para Pochmann, o Brasil vive há três anos uma “sorte conjuntural”, por isso há aumento no número de empregos no país.

Ele explica que “sorte conjuntural” são fatores externos ao governo, como a ausência de crises econômicas internacionais. “O problema do desemprego é estrutural, requer mudança no modelo econômico, coisa que não foi feita”, reflete Pochmann.

A crítica do professor se dirige, também, ao baixo crescimento econômico anual das duas gestões. Enquanto o mandato do tucano conseguiu um crescimento médio de 2,32% para o país, Lula atingiu os 2,54%.

Pochmann afirma que o governo Lula não teve coragem de desviar a macroeconomia da rota conservadora, herança do governo de Fernando Henrique Cardoso. Segundo o professor, o gasto de formação na área profissional, inclusive, se reduziu durante o governo petista. “E não é a classe média que está se beneficiando com essa queda na taxa de desemprego. Afinal, as vagas que estão sendo abertas têm salários que gravitam na faixa dos R$ 800”, reflete.

A opinião de Pochmann vai no sentido contrário à de outro economista, também professor da Unicamp, que é senador pelo PT (Partido dos Trabalhadores): Aloizio Mercadante.

Em seu livro Brasil: Primeiro Tempo, Mercadante destaca o crescimento de 4,9% do PIB em 2004, “o melhor em dez anos”, na sua avaliação. A boa estatística foi atingida “devido à normalização do mercado de câmbio e a descompressão da política monetária”, de acordo com a análise do Senador.

Ele atribui o bom resultado, ainda, às exportações, à produção de bens de capital e bens de consumo duráveis, e ao aumento do consumo das famílias promovido pelas políticas públicas do governo, tais como a democratização do crédito, aumento dos salários dos trabalhadores e expansão do emprego.



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