Educação

Há 15 anos, a expansão das universidades públicas no Sul do país

Primeiro o campus litoral da Universidade Federal do Paraná; depois, a criação das universidades Tecnológica, da Fronteira Sul e da Integração Latino-Americana

25/09/2019 17:42

Unidade da Unila em Foz do Iguaçu (Divulgação Unila)

Créditos da foto: Unidade da Unila em Foz do Iguaçu (Divulgação Unila)

 
Completa 15 anos neste semestre o início de um processo de expansão das universidades públicas federais na região Sul do Brasil. Depois de décadas de mobilização popular, comunidades carentes de ensino superior gratuito passaram a ver seus sonhos e suas lutas enfim concretizadas.

O marco inicial desse processo se dá com a instalação de um campus no litoral da Universidade Federal do Paraná (UFPR) – a autorização do governo federal veio em 2004 e as aulas começaram em 2005. Exceto pelo Porto de Paranaguá e pelo veraneio na temporada, o litoral paranaense era uma região caracterizada pela absoluta falta de oportunidades. Migrar para a capital e região metropolitana era a única alternativa a quem precisasse aprofundar os estudos, encontrar opções de cultura, lazer e trabalho.

Entre graduação e pós-graduação, são 20 cursos oferecidos atualmente pela UFPR Litoral, além de diversos projetos de extensão e pesquisa. A integração entre a universidade e a comunidade litorânea está imbricada no Projeto Político Pedagógico, o PPP, da unidade. Claro que, com os cortes impostos pelo atual governo, todas essas atividades estão seriamente ameaçadas.

Também há 15 anos foi criada a Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR). A UTFPR encampou cursos e estrutura do antigo Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet), cuja origem remonta a 1909. Não foi, porém, apenas uma mudança de nome ou status.

A transformação do Cefet em UTFPR significou ampliação dos cursos oferecidos, inclusive de pós-graduação, e a diversificação das áreas de abrangência; a implantação de novas estruturas físicas, e de projetos de ensino, extensão e pesquisa. Há campus da UTFPR em Curitiba e mais 12 cidades do interior paranaense.

Fronteira Sul

A interiorização do ensino público superior no Sul brasileiro foi intensificada com a criação, há dez anos, da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS). São seis campi, nos três estados sulinos: Chapecó (SC), onde está a sede; Cerro Largo, Erechim e Passo Fundo (RS); Realeza e Laranjeiras do Sul (PR). O depoimento da estudante Érica Toledo, de Pedagogia, dado a uma reportagem especial do campus Erechim, sintetiza o que representa a existência de uma universidade pública em rincões antes nunca alcançados:

“Não dá pra explicar o que é ter a UFFS praticamente ao lado da minha casa. Sempre imaginei as universidades federais como algo inatingível, que demandaria a mudança para outra cidade, provavelmente uma capital, fazendo toda uma revolução na minha vida pra conseguir me manter depois.”

Integração Latino-Americana

Ano que vem será a vez da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila) comemorar um decênio de vida. A criação e a instalação da Unila, em Foz do Iguaçu, deu-se em 2010. São cursos e projetos de ensino, pesquisa e extensão que buscam a integração humana, social, cultural e econômica entre os países do Cone Sul.

Diante dos cortes na educação impostos pelo atual governo, e pelos discursos deste de desvalorização da integração regional, em abril último o Parlamento do Mercosul divulgação uma moção de apoio à Unila, defendendo a atuação da universidade e a ampliação de investimentos na instituição.

Todas essas polos universitários não surgiram numa canetada, do dia para noite. São resultado de décadas de mobilização da comunidade e de lideranças sociais e políticas. Entretanto, essa luta só ganhou crédito, visibilidade, força e efetividade quando, no governo Luiz Inácio Lula da Silva, deu-se início ao maior programa da história brasileira de universalização do ensino superior público, que foi ao encontro daquelas demandas.

Todas essas instituições correm o risco de minguarem, aí sim, numa canetada, com os cortes em investimentos na educação superior impostos pelo atual governo. Atual governo, aliás, que teve no Sul a votação mais expressiva. Na média dos três estados, 69% dos votos válidos foram dados a Jair Bolsonaro. Por que será que toda essa gente não percebeu a arapuca na qual estava caindo?

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