Educação

Paulo Freire em tempos de 'fake news'

Em defesa do legado de Paulo Freire, Instituto promove curso online com educadores brasileiros e estrangeiros a partir de quinta-feira (02.05). Confira entrevista com Paulo Padilha.

29/04/2019 16:38

 

 
Em defesa do legado de Paulo Freire e contra o discurso de ódio e ignorância que alimenta a campanha contra o educador, a partir desta quinta-feira (02.05), o Instituto Paulo Freire promoverá o curso online “Paulo Freire em tempos de fake news”, orientando educadores, formadores de opinião e público em geral a combater a onda de desinformação em torno da pedagogia freiriana.

“Nós ouvíamos críticas a Paulo Freire, que nunca quis ser unanimidade, mas eram críticas respeitosas, dentro de um diálogo democrático e de uma perspectiva de diferença de pensamento. Com o acirramento ideológico e os ataques da ultradireita, fake news contra Paulo Freire estão espalhadas em todos os cantos e muita gente está se questionando sobre Paulo Freire”, avalia Paulo Padilha, diretor pedagógico do Instituto Paulo Freire.

“Ele vem sendo chamado de doutrinador, de comunista. Quem diz isso não sabe nada de doutrinação, de comunismo, muito menos de Paulo Freire. Por isso, nós fazemos questão de trabalhar as fake News durante o curso”, destaca. O objetivo é justamente combater a desinformação sobre a obra, o pensamento e a contribuição de Paulo Freire para a educação no Brasil e no mundo. Para tal, foram convidados 18 educadores que pertencem à rede de estudos freirianos, do Brasil e do exterior.

São eles: Afonso Celso Scocuglia (UFPB, Brasil), Aléssio Surian (Centro Paulo Freire de Padova, Itália), Ângela Biz Antunes (IPF, Brasil), Carlos Rodrigues Brandão (Unicamp, Brasil), Florêncio Varella (IPF, Cabo Verde), Francisca Pini (IPF, Brasil), Guillermo Williams C. (Univ. de La Frontera, Chile), Ismar Soares (ECA-USP, Brasil), Jaciara de Sá Carvalho (Unesa, Brasil), Jason Mafra (Uninove e IPF, Brasil), José Eustáquio Romão (Uninove e IPF, Brasil), Ladislau Dowbor (PUC-SP, Brasil), Luiza Cortesão (Univ. Porto, Portugal), Moacir Gadotti (IPF, Brasil), Oscar Jara (CEAAL, Peru e América Central), Paulo Roberto Padilha (IPF, Brasil), Sheila Ceccon (IPF, Brasil) e Sonia Couto (IPF, Brasil).

Com início programado para a próxima quinta-feira, 2 de maio, quando completam 22 anos da morte de Paulo Freire, o curso é dividido em 16 videoaulas (saiba mais aqui). “Nossos cursos são muito dinâmicos. Nós, da EAD Freiriana temos esse diferencial, nossa metodologia é muito participativa. O curso tem que ser interativo, estar em uma plataforma amigável, incentivar que as pessoas escrevam e dialoguem com outros participantes. Também haverá a opção de participar como autor(a) do e-book ´Paulo Freire e fake news´”, conta Padilha.

Combate à desinformação

Muitos dos que detratam Paulo Freire sequer sabem que as teorias freirianas não foram adotadas nas escolas públicas. Como explica Padilha, “o que temos são pessoas e instituições que respeitam e utilizam as teorias freirianas, mas a metodologia de Paulo Freire não está inserida no currículo das escolas públicas, desde a educação infantil à pós-graduação, infelizmente”.

Esse é um dos motivos pelos quais Paulo Freire jamais poderia ser responsabilizado pelo “fracasso da educação” como afirmam seus detratores. “Como Paulo Freire pode ser culpado se nunca esteve inserido no currículo? Aliás, se estivesse, a educação não estaria assim”, complementa, ao contar que, em 1963, Freire foi convidado pelo então presidente João Goulart para coordenar a Polícia Nacional de Alfabetização, porém, “com o golpe de 1964, Paulo Freire foi exilado do Brasil e o programa educacional extinto”.

Padilha também destaca o imenso respeito às teorias do educador no exterior. “Na Europa, na América Latina, nos Estados Unidos, ninguém faz esse tipo de crítica a Paulo Freire que estamos vendo no Brasil. Nós temos uma ultradireita que pretende desqualificar o pensamento freiriano”, complementa. Em sua avaliação, isso diz respeito à tentativa dessa mesma direita “de eliminar a consciência crítica das pessoas, perpetuando o estado de dominação social e opressão econômica”.

“Paulo Freire estimula a consciência crítica das pessoas. Estimula o exercício da autonomia, a consciência epistemológica do aluno. Quando ele defende a educação como ato político, como liberdade, isso provoca medo nos que querem, de forma autoritária e excludente, doutrinar a população e construir uma sociedade alienada, sem pensamento crítico”, afirma.

Segundo Padilha, vivemos um estado de psicose social no Brasil. “Há pessoas que não percebem o nível de destruição de conquistas sociais, de retrocesso em termos de direitos humanos, de venda do patrimônio nacional. Não percebem uma série de coisas que estão acontecendo e que vão comprometer, gravemente, o futuro delas e do país. Agora, quando você educa de forma crítica, você cria mecanismos de proteção. É por isso que eles querem ´expurgar´ Paulo Freire da educação brasileira. E está havendo perseguições específicas a pessoas e a instituições para que elas se sintam intimidadas”.



Para mais informações sobre o curso “Paulo Freire em tempos de fake news” acessem https://www.eadfreiriana.org/curso-pftfn/ . As inscrições estão abertas.

Em tempo: em agosto de 2019, a EAD Freiriana ofertará um curso sobre alfabetização e método Paulo Freire. As informações serão dadas em breve, no portal do Instituto Paulo Freire: https://www.paulofreire.org/

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