Educação

Urgente reformar a Arquitetura Financeira

 

22/04/2020 17:29

 

 

Nesta quarta-feira, dia 21 de abril, o Observatório da Integração Econômica da América do Sul (OBIESUR) da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA) promoveu a palestra on-line do professor argentino Lucas Castiglioni. O docente da Universidad Nacional del Centro de la Provincia de Buenos Aires (UNICEN), em Tandil, apresentou o tema “O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) nas relações interamericanas, anotações para uma história crítica”. Mais de 25 pesquisadores, incluindo professores, estudantes de graduação, mestrado %u20Be doutorado, e funcionários públicos, participaram da reunião.

Entre os principais pontos abordados por Castiglioni está a análise das transformações do cenário mundial e as mudanças do papel exercido pelo BID desde a sua criação, no pós-II Guerra Mundial, em um contexto de expansão estadunidense. Eram os anos do denominado “Velho Regionalismo”, durante a gestão do economista chileno Felipe Herrera (1959-1970), marcados por esforços de industrialização e pelo fortalecimento do comércio intrarregional.

Posteriormente, o apresentador dedicou atenção aos períodos da crise da dívida externa, dos anos 1980, e de abertura comercial e privatização, dos anos 1990. O cenário ficou conhecido como “Novo Regionalismo” ou “Regionalismo Aberto”, desenhado a partir dos postulados neoliberais nas gestões do economista uruguaio Enrique Iglesias (1988-2003). O período foi encerrado pelas gravíssimas crises financeiras, resultantes das aberturas comerciais e das contas de capital no final do século, que levaram ao colapso do Plano Real, ao fim da Lei de Convertibilidad argentina e ao “Efeito Tequila” no México.

Igualmente, foram abordados os primeiros anos do século XXI, quando ganhou peso a ideia de que a antiga Arquitetura Financeira Internacional está ultrapassada, não serve mais. Diante da evidente incapacidade das instituições de Bretton Woods, o FMI e o Banco Mundial, de responderem às necessidades da maioria dos países, o próprio G-20 passou a incentivar propostas de instituições financeiras de caráter regional. Nos anos 2000, os financiamentos do BID se concentraram principalmente na iniciativa para a Integração da Infraestrutura Regional Sul-americana (IIRSA) e do Conselho Sul-Americano de Infraestrutura e Planejamento (Cosiplan) da União de Nações Sul-Americanas (Unasul). Para se ter uma ideia, dos 562 projetos da IIRSA, que somam US$ 198 bilhões, o BID participa de 35, que totalizam US$ 10,8 bilhões.

Por fim, o professor argentino, que também é membro do Grupo de Trabalho Crise e Economia Mundial da CLACSO, interpretou a atuação do BID no período recente. A instituição se consolidou como gigante regional, ao lado do Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF, antiga Corporação Andina de Fomento). A CAF financia 32 projetos da IIRSA/Cosiplan, somando US$ 9,6 bilhões. No entanto, a crise internacional de 2008 e o atual cenário de paralisia da economia mundial, reforçado agora pela COVID-19, ampliam os anseios para que surja uma Nova Arquitetura Financeira Regional.

Entre 2003 e 2014, os governos progressistas da América do Sul estimularam a criação de diversos mecanismos financeiros próprios, como o Sistema de Moedas Locais (SML) do Mercosul, o Sistema Único de Compensação Regional de Pagamentos (Sucre) da ALBA, o Fundo de Convergência Estrutural do Mercosul (Focem) e o Banco do Sul, entre outros. Apenas a última iniciativa não prosperou. A urgência do fortalecimento de instrumentos regionais de financiamento fica ainda mais evidente com a atual crise econômica, piorada pela pandemia mundial.

Todas as terças

O encontro virtual ocorreu no âmbito da Cátedra do Banco da ALBA no Brasil, fruto das articulações do OBIESUR-UNILA com o Banco da ALBA. Nas próximas terças-feiras, até o dia 15 de maio, os convidados são o venezuelano Iván Chataing, gerente de projetos do Banco da ALBA; a uruguaia Sofia Escobar Samurio, pesquisadora do IPEA e doutoranda na UnB; o brasileiro Marcos Vinícius Chiliattto, doutor em Economia pela Unicamp; e a equatoriana Katiuska King Mantilla, docente da Universidad Central del Equador (UCE).

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