Eleições

Ataque a Bolsonaro é "resposta de ódio" a quem "prega o ódio", diz Maria Rita Kehl

Candidato do PSL sofreu ferimento no abdômen após ter sido perfurado com faca durante ato de campanha em Minas Gerais

08/09/2018 17:32

Ataque a Bolsonaro é registrado pelas pessoas que acompanhavam ato político em Juiz de Fora (Foto: montagem sobre imagens da TV/Brasil de Fato)

Créditos da foto: Ataque a Bolsonaro é registrado pelas pessoas que acompanhavam ato político em Juiz de Fora (Foto: montagem sobre imagens da TV/Brasil de Fato)

 

"Um cara que prega o ódio recebeu uma resposta de ódio", lamentou, ao Brasil de Fato, a psicanalista Maria Rita Kehl em referência ao ataque a faca contra o candidato a presidente pelo PSL, Jair Bolsonaro, nesta quinta-feira (6) em Juiz de Fora (MG), durante um ato de campanha em um centro comercial da cidade. Enquanto era carregado nos ombros por um de seus seguranças, Bolsonaro foi perfurado por uma faca na região do abdômen e foi levado à Santa Casa, onde passou por uma cirurgia para reparar perfurações nos intestinos grosso e delgado, segundo informações repassadas pelo hospital à imprensa.

O autor do ataque foi cercado por apoiadores de Bolsonaro e detido ainda no local, antes de ser encaminhado à delegacia. Segundo informações de policiais militares no local, ele teria afirmado que a iniciativa do ataque foi individual, por discordâncias com as ideias defendidas pelo candidato em sua campanha.

"Me parece que quando o dispositivo da democracia entra em descrédito, como a manobra para tirar a Dilma - que já foi picaretagem, por exemplo -, depois a prisão do Lula - uma coisa totalmente arbitrária, que mesmo quem está a favor sabe que é uma jogada suja, que é um 'gol de mão', enfim -, as pessoas começam a apelar. A violência nas ruas aumenta, a violência contra as mulheres aumenta, enfim, a 'psicopatização' da sociedade como um todo aumenta", analisou a psicanalista.

Perfil

Bolsonaro é uma figura conhecida pelo discurso repleto de preconceitos contra mulheres, negros e pobres, além de atacar com rancor movimentos populares como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), além dos partidos identificados com a esquerda.

Há uma semana, durante ato de campanha no Acre, Bolsonaro prometeu a seus apoiadores que, após a vitória eleitoral, iriam "fuzilar a petralhada", em menção aos militantes do Partido dos Trabalhadores (PT). A facilitação do porte de armas para civis é uma das principais bandeiras da campanha do militar da reserva, para que cidadãos possam reagir à criminalidade por conta própria e fazendeiros possam atacar movimentos populares do campo.

O discurso pró-violência de Bolsonaro, que tem despontado como principal nome da extrema direita desde a última eleição presidencial, acompanha o aumento da violência nas relações políticas no país. Em abril deste ano, o violento assassinato da vereadora Marielle Franco, no Rio de Janeiro, chocou o país. Ela foi alvejada por tiros ao lado do motorista Anderson Gomes, em seu carro, quando voltava de um debate político com mulheres negras. A polícia ainda não localizou os autores do assassinato ou os mandates, embora haja suspeita de envolvimento de milícias.

Em março, a caravana do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi alvejada por tiros enquanto visitava estados da região Sul do país; em 2015, uma bomba caseira foi arremessada contra a sede do Instituto Lula, em São Paulo.

Edição: Diego Sartorato

*Publicado originalmente no Brasil de Fato

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