Eleições

FC Barcelona se afasta de Ronaldinho Gaúcho e Rivaldo ao saber do apoio deles a Bolsonaro

Clube alega que as posições defendidas por Bolsonaro "são extremistas e não condizem com os valores assumidos não só pelo FC Barcelona como também pela sociedade em geral"

16/10/2018 20:12

 

 

Quem conhece o FC Barcelona sabe que seu lema é més que un club (“mais que um clube”), devido à história política de resistência ao franquismo durante os longos e sangrentos anos da ditadura espanhola (1939-1975).

Nesta semana, a instituição fez jus à sua consigna e à sua história, ao decidir se desmarcar da imagem de dois de seus maiores ídolos, Ronaldinho Gaúcho e Rivaldo, por seus declarados apoios ao candidato presidencial da ultradireita brasileira, Jair Bolsonaro.

O clube alega que as posições defendidas por Bolsonaro “são extremistas e não condizem com os valores assumidos não só pelo FC Barcelona como também pela sociedade em geral”.

“A homofobia, a misoginia e o racismo apregoados pelo candidato ultradireitista ao longo de mais de 30 anos de carreira política, e que são exaltados em sua campanha eleitoral, são inaceitáveis segundo a ótica azulgrená (apelido em referência às cores oficiais do clube), já que o Barça é um dos clubes que mais se posiciona internacionalmente do lado oposto ao de Bolsonaro”, diz uma matéria do jornal esportivo catalão Sport.

O caso de Ronaldinho chama mais a atenção do que o de Rivaldo, não só porque o seu apoio a Bolsonaro é mais explícito como também pelo caso específico de sua relação com o clube catalão, já que ele é considerado oficialmente pelo FC Barcelona como um dos seus “embaixadores”, distinção pela qual ele pode figurar como representante do clube em eventos de nível mundial.

Ao tomar a decisão de se distanciar dos ex-atletas, o clube deixará de convidá-los aos eventos oficiais que geralmente reúnem os craques do passado, como os tradicionais amistosos da série “Legendas”- Ademais, a distinção de Ronaldinho Gaúcho como embaixador oficial do clube também está em risco, e será reavaliada.

Esse afastamento significará perda de receita para Rivaldo e Ronaldinho, já que o FC Barcelona paga um cachê para os convidados em cada um desses eventos, sejam amistosos ou encontros com torcedores.

Segundo o apurado pelo diário Sport, a alta cúpula do FC Barcelona tomou uma decisão “buscando respeitar o direito dos ex-jogadores de posicionarem democraticamente, mas também preservar o clube e sua imagem das posições totalitárias e contrárias à defesa dos direitos humanos defendidas pelo candidato e os atletas que o apoiam, independentemente de qual será sua ação em um hipotético governo”.

Apesar dessa polêmica, é importante destacar que o clube catalão sempre se orgulhou de seus craques brasileiros, desde Evaristo de Macedo, nos Anos 50 e 60, passando por Romário, Ronaldo, Dani Alves e até Neymar, e claro, incluindo também Rivaldo e Ronaldinho Gaúcho.

A questão é que, independente do que fizeram os craques brasileiros dentro de campo com a sua camiseta, a história do FC Barcelona fora dos gramados é muito maior que eles e seus feitos com a bola nos pés.

Se trata de um clube que enfrentou o totalitarismo franquista durante 40 anos, e que sofreu duras consequências por isso, algo que está marcado na sua história até hoje. Ao defender um candidato que diz abertamente que “o erro da ditadura foi torturar e não matar”, entre outras frases repugnantes, os jogadores escolhem um caminho que o clube não pode aceitar.

Neste episódio, a postura do FC Barcelona prova que a instituição é realmente “mais que um clube”. Já os brasileiros, mostraram que são meros jogadores de futebol.

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