Eleições

Belém revela como vencer a direita

Lá não prevaleceram autofagia e dispersão da esquerda. Lançado ontem, após construção participativa do programa, Edmilson Rodrigues é líder destacado nas pesquisas para disputa da prefeitura

18/08/2020 13:46

O deputado federal Edmilson Rodrigues (PSOL) (Gustavo Lima/Câmara dos Deputados)

Créditos da foto: O deputado federal Edmilson Rodrigues (PSOL) (Gustavo Lima/Câmara dos Deputados)

 
Centenas de ativistas populares participaram ontem (17/8), na capital do Pará, de um fato incomum nas eleições municipais deste ano. Elas lançaram, numa conferência via internet, o programa da chapa Bora Belém e as candidaturas de Edmilson Rodrigues (PSOL) para prefeito e de Ivanise Coelho (PT) para vice. A frente que os apoia inclui ainda PDT, Rede, UP e PCB. A plataforma da coalizão surgiu de um amplo processo de debates e construção coletiva, que assumiu, durante a pandemia, o caráter de reuniões online. Os resultados começam a surgir. Na última sondagem, realizada pelo Paraná Pesquisas na primeira semana do mês, Edmilson, que governou Belém entre 1997 e 2004, lidera disparado, com 39,3% dos votos. Seu adversário mais próximo, Celso Sabino (PSDB) tem apenas 11,3%.

A frente Bora Belém assumiu um caráter não somente partidário, mas de ampla ação cívica pela reconstrução da Cidade das Mangueiras, a quem alguns preferem chamar, em homenagem a suas lutas históricas de Morena-Cabana. Belém é um gigantesco centro ribeirinho: suas entradas são em grande parte fluviais. Os acessos terrestres e aéreos surgiram a partir dos anos 1960, com a construção da Belem-Brasilia. Essa cidade fluvial parece literalmente plainar sobre o gigantesco Rio Pará.

Durante os últimos 16 anos, Belém ficou, na prática sem administração municipal. Os grupos oligárquicos e o poder midiático conseguiram eleger seus candidatos. Prevaleceu a promiscuidade entre os interesses privados e o patrimônio público, colonizado por aqueles. A cidade fragmentou-se e seu povo empobreceu , mesmo para os critérios da sociedade brasileira.

A inépcia completa dos senhores tucanos e da direita fascista, que controlaram a prefeitura por tanto tempo, explica, aliás, o número excepcional de mortos por Covid. Estiveram, é claro, devidamente sintonizados com o governo demente do Planalto Central.

A frente democrática de esquerda optou, em Belém, pela construção de um programa para o governo municipal radicalmente participativo. As forças sociais dispostas à mudança foram chamadas a construir coletivamente uma novas cidade, capaz de oferecer condições de vida dignas para o povo moreno-cabano.

A construção programática se iniciou com reuniões em cada distrito da cidade e com a participação em agendas estruturais e identitárias (Negritude, Juventude, Mulheres, LGBTQI , Religiosidade).

Somente na última semana, de arranque para construção do programa democrático e popular, houve 14 reuniões participativas utilizando plataformas virtuais. Reuniram, com plena segurança e sem riscos epidemicos, quase mil pessoas, agentes de um amplo movimento cívico pela reconstrução de Belém. As reuniões virtuais continuarão. Ajudarão a promover encontros dos Grupos de Trabalhos Temáticos (GTT), Plenárias e Reuniões Participativas (RP). Acolherão a contribuição de milhares de inconformados com os tristes rumos de Belém e do Brasil nos últimos anos, porém radicalmente otimistas pela construção de um futuro melhor para o nosso povo, com Democracia, Acesso a Trabalho, Emprego e Renda, Participação Popular e Revolução Solidária.

 Bora Belém!

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