Eleições

Haddad reúne multidão em São Paulo e projeta virada histórica no domingo

Candidato petista demonstrou otimismo ao conversar com eleitores nesta quarta-feira (24) no Largo da Batata

25/10/2018 18:37

Cerca de 20 mil pessoas participaram de ato em defesa da democracia (José Eduardo Bernardes)

Créditos da foto: Cerca de 20 mil pessoas participaram de ato em defesa da democracia (José Eduardo Bernardes)

 
"A eleição do Bolsonaro que estava 'decidida', hoje é apenas 'provável', amanhã vai ser 'possível', e no domingo ele vai descobrir que perdeu", disse o candidato Fernando Haddad (PT) a cerca de 20 mil apoiadores em ato na capital paulista na noite desta quarta-feira (24).

A mobilização aconteceu no Largo da Batata, zona oeste de São Paulo, e contou com a presença de artistas, intelectuais e militantes de movimentos populares. A multidão foi contagiada pela atmosfera de otimismo e reagiu com aplausos a cada discurso em defesa da democracia.

Haddad comentou a entrevista recente em que Bolsonaro afirma que mulheres, negros, gays e nordestinos são "coitados". "Quero dizer que o 'coitado' é ele. E, pelas minhas previsões, ele está a duas entrevistas da derrota. Fala, Bolsonaro, fala o que você pensa, e vai tomar uma surra do povo brasileiro no domingo", previu.

O candidato do PT também minimizou a reação do mercado financeiro às últimas pesquisas. "Toda vez que o candidato do Paulo Guedes cai, a bolsa cai junto. Porque, se eles ganharem, vão vender tudo. E eles sabem que, se nós vencermos, não vamos vender o pré-sal, não vamos vender a Amazônia, não vamos fazer guerra com nenhum país vizinho. Nós somos os promotores da paz e da democracia no continente", afirmou o petista.

Movimentos Populares 

Gilmar Mauro, da coordenação do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), disse que "é hora de ir para a rua e de se vestir de vermelho e de verde e amarelo, para convencer no debate político e virar essa eleição".

O coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) Guilherme Boulos afirmou ser um momento decisivo para o país e lembrou de pessoas assassinadas pela ditadura militar, como Vladimir Herzog, Carlos Marighella e Rubens Paiva. "Essa lição também nos dá inspiração e coragem de muita gente que lutou, que resistiu e que deu o melhor da sua vida. É o que nos inspira a estar aqui hoje, na luta democrática, e a não se intimidar diante das agressões de um fascistinha", completou.

Artistas 

"É muito importante todos nós estarmos juntos, olhando no olho, respeitando o desespero de irmãos e irmãs que, por vários motivos respeitáveis, estão acreditando em um projeto vazio, autoritário e truculento, que vai levar esse país ao abismo" disse o rapper Emicida.

O ator Ailton Graça ressaltou a necessidade de diálogo. "Tenho certeza que vai ser uma virada através do afeto e do amor. Cabe a cada um de nós continuar semeando amor e esperança no coração de quem está nutrindo ódio. Perguntar se as pessoas preferem que seus filhos tenham um livro ou uma pistola na mão", comparou.

Marias com Haddad 

Maria Conceição Guimarães é copeira e esteve no ato em apoio a Fernando Haddad na capital paulista. "Eu estou aqui porque ele é o único candidato que defende a população de baixa renda e as mulheres", disse.

A educadora Maria dos Anjos também esteve na mobilização e ressaltou as conquistas sociais durante os governo do PT, como programas para moradia e ampliação de vagas nas universidades. "Nós não precisamos de armas: precisamos de educação, de saúde e de moradia", defendeu.

A última pesquisa do Instituto Ibope, divulgada nesta terça-feira (23), mostra que a diferença entre Bolsonaro e Haddad caiu quatro pontos percentuais desde o dia 15 de outubro.

O ato na capital paulista aconteceu no dia seguinte à mobilização nos Arcos da Lapa, no Rio de Janeiro, que reuniu cerca de 70 mil pessoas.

Edição: Daniel Giovanaz

*Publicada originalmente no Brasil de Fato



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