Eleições

O Facebook está construindo uma "sala de guerra" física para a "corrida armamentista" das eleições de meio de mandato dos EUA

Chefe de engajamento civil da empresa destacou o progresso feito pela gigante de tecnologia em lidar com "desinformações" e "fakenews" em uma entrevista à NBC

16/09/2018 11:04

Sala de guerra icônica do filme de Stanley Kubrick

Créditos da foto: Sala de guerra icônica do filme de Stanley Kubrick "Dr. Strangeloveor: How I Learnedto Stop Worryingand Love the Bomb" (FilmStills.net/Global Look Press)

 

O Facebook está se preparando para as eleições de meio de mandato dos EUA construindo literalmente uma “sala de guerra” e procurando vencer a “corrida armamentista” contra “malfeitores”, disse um executivo da empresa em declarações que pareciam saídas da Guerra Fria.

O chefe de engajamento civil do Facebook, SamidhChakrabarti, destacou o progresso feito pela gigante de tecnologia em lidar com “desinformações” e “fakenews” em uma entrevista à NBC publicada no último dia 4 de setembro.

A plataforma tornou-se muito efetiva nos últimos dois anos em “combater interferência externa” e bloquear e deletar “contas falsas” indesejadas, de acordo com o executivo.

“Penso que estamos em uma situação muito melhor do que estávamos em 2016. Mas esta é uma corrida armamentista. E é por isso que estamos nos mantendo sempre vigilantes, intensamente focados para garantir que estejamos um passo à frente de novos problemas que possam surgir”, afirmou Chakrabarti.

Assim como em uma “corrida armamentista” real, as fileiras do pessoal de “segurança e proteção” do Facebook dobraram quando comparando-se com um ano atrás. A empresa agora emprega 20.000 pessoas em sua equipe de segurança, que inclui “investigadores de inteligência treinados” e “cientistas de dados computacionais” que operam um sistema de IA avançado para encontrar “agulhas no palheiro”, disse Chakrabarti.

Para lidar com qualquer interferência maligna “nas horas antes da eleição”, a empresa está construindo uma “sala de guerra física”, confirmou Chakrabarti. O centro de comando é composto por pessoas de diferentes especialidades que serão capazes de “realizar ações rápidas e decisivas” se necessário.

Quando perguntado diretamente sobre como exatamente o Facebook detecta atividades maliciosas com origem na Rússia e no Irã, Chakrabarti admitiu que a gigante de mídia social é na verdade “somente uma pequena parte de um quebra-cabeças muito maior” junto com governos e “especialistas em segurança” de todo o mundo.

“Temos trabalhado com governos de todo o mundo, com especialistas de segurança de todo o mundo e com a sociedade civil de todo o mundo para compartilhar informações sobre ameaças que vemos. E estamos juntando essas partes e colocando nossos melhores investigadores de inteligência para encontrar esse tipo de atividade em nossa plataforma e removê-la”, declarou Chakrabarti.

Chakrabarti não especificoucom que tipo de “especialistas” o Facebook tem colaborado, mas sua parceria com o Conselho Atlântico é um bom indício de precisamente quão “não parciais” pode-se esperar que sejam. O Conselho é basicamente um braço acadêmico da OTAN que frequentemente realiza animados debates entre diversos russófobos. Ele também tem uma equipe específica de investigadores que são especializados em detectar os chamados “bots russos” entre usuários de redes sociaisa partir de imperfeições em seu inglês.

O executivo também confirmou informações anteriores quanto à forte cooperação entre o Facebook e outros gigantes de mídia e tecnologia. Ele revelou que a recente onda de banimentos em mídias sociais foi o resultado de “troca de informações” com “parceiros do setor” que se provou ser muito benéfica para eles.

“O benefício que vemos é que somos capazes de conseguir mais informações sobre certos malfeitores e então podemos tirá-los da plataforma. E podemos similar e reciprocamente, fornecer esse tipo de ajuda a outros do setor”, disse Chakrabarti.

A entrevista também abordou acusações contra o Facebook quanto a tomar como alvo de forma seletiva os conservadores dos EUA. As alegações primeiramente emergiram quando o Facebook e o Twitter apagaram Alex Jones do Infowars de suas plataformas e mais tarde foram apoiados pelo próprio presidente dos EUA Donald Trump. O chefe de engajamento civil do Facebook, entretanto, desconversou, fazendo uma declaração vaga sobre a natureza inclusiva da plataforma, que quer “dar a todos uma voz para aproximar o mundo.”

*Publicado originalmente no RT News | Tradução: Equipe Carta Maior

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