Eleições

O que levou o JN a fazer jornalismo de uma hora para outra? Veja o vídeo.

Com 24 horas de atraso o Jornal Nacional resolveu entrar no assunto mais quente da eleição: o crime cometido por Bolsonaro ao contratar empresas de disparo de notícias falsas. O assunto foi levantado pelo Jornal Folha de S.Paulo e revela um esquema de caixa dois. O que terá havido? Bispofobia?

21/10/2018 17:22

(Reprodução)

Créditos da foto: (Reprodução)

 
Transcrição do áudio do Jornal Nacional (video ao final):

O Whatsapp, aplicativo de mensagens, anunciou hoje que está investigando as empresas que foram denunciadas nesta quinta-feira (18) pelo jornal Folha de São Paulo. Elas são suspeitas de integrar um esquema que visava a caluniar o candidato do PT à presidência, Fernando Haddad. As contas dessas empresas foram bloqueadas pelo aplicativo de mensagens que publicou em nota que tem tomado providência similar desde o início do processo eleitoral.

Na nota o WhatsApp afirma que está investigando as empresas que infringem os Termo de Uso da plataforma. Assim como as denunciadas na reportagem da Folha de São Paulo por fazerem parte de um esquema de envio de mensagem em massa contra o candidato do PT, Fernando Haddad.

Na reportagem o jornal apurou que empresários pagavam até 12 milhões de reais por esse serviço. Afirmou ainda, que esses empresários já se preparavam para uma grande operação para a reta final do segundo turno. A prática é ilegal, pois se trata de doações de campanha por empresas, vedada pela legislação eleitoral, e não declarada.

O WhatsApp afirma também que já bloqueou diversas contas de divulgação maciça que estavam ligadas a essas empresas. Além das citadas pela Folha, o Whatsapp diz que não comenta quantas empresas já foram notificadas, nem os seus nomes. Na nota, o WhatsApp diz que já baniu centenas de milhares de contas durante o período eleitoral de forma pró ativa. A empresa afirma que isso foi possível pois dispõem de tecnologia de ponta capaz de detectar contas com um comportamento anormal, como por exemplo espalhar desinformação, ou mensagens não solicitadas pelos usuários, o chamado SPAM.

O Jornal Folha de São Paulo citou as empresas Quickmobile, a Yacows, Croc Services e SMS Market, como sendo aquelas que estaria vendendo impulsionamento em massa de mensagens contra o PT e seu candidato e Luciano Hang, dono da Havan, como um dos empresários que financiaram tal atividade.

O jornal não exibiu documentos nem mencionou relatos de testemunhas.

O empresário Luciano Hang negou que tenha comprado impulsionamentos e denunciou a Folha de São Paulo a mostrar algum contato seu com empresas que usam o WhatsApp.

A SMS Market, de Bauru, no interior de São Paulo, publicou uma mensagem no Facebook afirmando que as regras da empresa não permitem nenhum tipo de divulgação do setor privado para promoção ou incentivo de votação em qualquer candidato. Portanto, todas as informações que relacionam o nome da SMS Market não passam de mentiras infundadas.

A Quickmobile, de Belo Horizonte em Minas Gerais, disse em nota que encaminhou a notificação do WhatsApp para o departamento jurídico e que tomará as medidas necessárias passando do fato de nunca ter feito nenhum tipo de divulgação para o Dep. Jair Bolsonaro, nem para seu partido, ou para qualquer empresário e que não realiza divulgação de nenhum tipo de conteúdo difamatório ou ilícito.

A reportagem não pode entrar em contato com a empresa Croc Service. Um de seus dois endereços apontava para uma residência onde ninguém conhecia a empresa, no segundo funciona uma consultoria empresarial.

A empresa Yacows, com sede na cidade de São Paulo não quis comentar as acusações mas divulgou uma nota dizendo que foram citados erroneamente como participantes de um suposto esquema de favorecimento ao candidato à presidência Jair Bolsonaro mas que não tem qualquer envolvimento com os fatos citados.

Com base na reportagem da Folha o PT entrou ontem com uma ação de investigação no Tribunal Superior Eleitoral e pediu que o tribunal declare o candidato Jair Bolsonaro inelegível por 8 anos. Na ação, o PT afirma que o presente caso trata do abuso de poder econômico e uso indevido dos veículos e meios de comunicação digital perpetrados pelos representados, uma vez que estariam beneficiando-se diretamente da contratação de empresas de disparos de mensagens em massa, configurando condutas vedadas pela legislação eleitoral.

Na ação, O PT afirma que o caráter eleitoral dos fatos narrados é evidente, além de demonstrar potencial suficiente a comprometer o equilíbrio do pleito eleitoral de 2018.

E na noite desta sexta-feira (19) o PDT entrou com uma ação no TSE. O partido quer uma nova eleição de primeiro turno sem o candidato Jair Bolsonaro.

O Ministro Jorge Mussi, corregedor do Tribunal Superior Eleitoral, abriu a investigação pedida pelo PT contra o candidato Jair Bolsonaro do PSL mas rejeitou todas as medidas cautelares solicitadas, como busca e apreensão e quebra de sigilo. Segundo o Ministro Jorge Mussi a concessão de liminares, antes de ouvir a outra parte, deve ser feita com cautela e o pedido do PT é baseado apenas em matérias jornalísticas que não permitem, neste momento, demonstrar a veracidade das suspeitas. Jorge Mussi destacou que a questão será analisada em momento próprio durante o curso da ação. O ministro deu cinco dias para Bolsonaro responder aos questionamentos.

A Procuradora Geral da República, Raquel Dodge, pediu hoje à Polícia Federal para que abra inquérito para apurar se empresas têm disseminado de forma estruturada mensagens em redes sociais, mas sobre os dois candidatos e não somente Fernando Haddad. O pedido foi entregue ao ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann. Nesse pedido Raquel Dodge destaca que a denúncia já tinha ativado abertura de procedimento pela Procuradoria Geral Eleitoral para verificar a existência de eventual atualização de esquema profissional por parte das campanhas com o propósito de propagar notícias falsas e explicou que a situação agora exige a apuração na óptica criminal.

O candidato do PT, Fernando Haddad, voltou a comentar a denúncia:

“…Ontem a Folha de São Paulo trazia uma reportagem de capa muito séria, uma denúncia de que via caixa dois, o meu adversário teria feito uma espécie de tsunami cibernético no Whatsapp com uma quantidade enorme de calúnias contra mim. Quem sofreu o que eu sofri nos quatro dias que antecederam o primeiro turno, e só eu sou capaz de saber, porque minha família foi atingida, a minha filha foi atingida, a minha honra foi atingida, tem que demonstrar o mínimo de indignação com uma prática que nós, pela construção do fundo público de financiamento, imaginávamos que pudesse ser superada, que é a utilização de dinheiro ilegal, dessa vez para caluniar o adversário. Não foi nem para fazer propaganda, se ainda tivesse sido para fazer propaganda dele, seria crime mas vamos dizer assim está fazendo propaganda do que fez, mas como ele não fez nada a vida inteira ele é obrigado a atacar com calúnias, porque ele não vai botar o meu currículo no WhatsApp, o que eu fiz como ministro, o que eu fiz como prefeito, o que eu fiz na vida pública”.

O candidato do PSL, Jair Bolsonaro, reagiu desmintindo a reportagem da Folha de S.Paulo:

“A manchete da matéria é uma coisa, o corpo da matéria é outro. O corpo não é nada comprometedor. Eles tem que apontar que empresa é essa, qual é minha relação com essa empresa, eu não tenho relação nenhuma com empresários nesse sentido. E outra coisa, eles falam em fake news, nós estamos derrotando o PT com verdades. Nós não precisamos mentir sobre o senhor Haddad, agora fake news quem espalha é ele quando diz que quero acabar com o décimo terceiro, que eu quero acabar com o bolsa família, que eu votei contra um projeto de lei que falava dos deficientes no Brasil. Ele tem dito barbaridades ao meu respeito, inclusive botaram no seu programa eleitoral e nas inserções e nós não temos feito isso. Eles estão desesperados, não vão conseguir atingir seu objetivo até porque eu estou tranquilo. O próprio Haddad agora diz que eu em jantares havia estimulado empresários a fazer isso aqui, deixo claro que desde o dia 06 de setembro eu estou fora de combate, fiquei 23 dias dentro do hospital e agora dentro da minha casa, não participei de jantar com quem quer que seja”.



*Publicado originalmente no Nocaute Blog



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