Eleições

Qual escolha diante do Bolsonaro: humanidade ou esgoto

 

19/10/2018 10:07

 

 
É nas encruzilhadas cruciais da história, quando o destino de uma nação e de um povo está sendo dramaticamente decidido entre a barbárie ou a civilização, que a consciência democrática e libertária do ser humano é posta à prova.

Existem circunstâncias históricas que não admitem hesitações e vacilações de qualquer índole; é imperioso escolher o lado da história que se quer ficar.

Na Alemanha dos anos 1920/1930, de ascendência do hitlerismo que mais tarde desaguaria no regime nazista, o apelo de Trotsky pela formação de uma frente única dos comunistas e socialistas com a socialdemocracia para deter o fascismo foi voz vencida.

A classe dominante alemã, os liberais, aristocratas e capitalistas do continente europeu também decidiram apoiar a ascensão de Hitler e seu ideário racista ao poder em nome do interesse mesquinho de aniquilar o comunismo e a esquerda.

A tragédia humana e social que derivou desses equívocos históricos deveria servir de ensinamento para que nunca mais acontecessem em toda a trajetória da humanidade.

A história, contudo, nem sempre consegue ser aquela professora convincente, capaz de impedir que o sectarismo odioso e o preconceito político escolham o abismo como destino.

É o que acontece com certos políticos e intelectuais brasileiros que lutaram na resistência democrática contra a ditadura [1964/1985] e hoje estão cegados por um irascível ódio antipetista.

Alguns, como FHC, vacilam, e não somam suas vozes para defender um futuro de democracia e liberdade onde poderão continuar exercendo suas divergências políticas com o petismo. Outros, ainda pior, jogaram-se na lata de lixo onde enterrarão suas biografias e suas histórias.

É disso que fala o desabafo do Luiz Cláudio, que adiante reproduzimos, originalmente publicado na sua página no facebook. Luiz Cláudio é emedebista e, durante muitos anos, foi secretário particular e chefe de gabinete do ex-senador Pedro Simon, do MDB/RS.

Numa frase, Luiz Cláudio sintetiza sua vergonha com a decisão do Simon, de apoiar Bolsonaro: “Os líderes costumam iluminar o caminho com luz nas grandes crises, como fazia Ulysses, não aumentar o breu da escuridão, como faz agora Simon”.

Acabei de ler esta entrevista lamentável do Simon. Que vergonha! Inacreditável! O Rollsing fez todas as perguntas certas, o Simon deu todas as respostas erradas... Pedir a um repórter para não fazer uma pergunta é a maior ofensa que se pode cometer contra o jornalismo e a liberdade de expressão.

Ouvir o Simon dizer que não sabe o que o velho Ulysses estaria fazendo neste momento, em relação ao Bolsonaro e seu repertório de sandices e truculências, é um desrespeito à memória e à história do velho comandante que liderou as oposições com coragem e princípios na luta contra a ditadura, que o capitão do PSL resume e simboliza como ninguém.

Estou pasmo que o Simon, que conheceu Ulysses e suas convicções com a proximidade de um companheiro íntimo, tenha dificuldade em traduzir ou presumir a atitude correta do velho comandante diante dessa tragédia iminente.Estou chocado com essa inesperada confusão política do Simon. Lamento ver meu amigo sufocado nesse incompreensível brete político e mental. Os líderes costumam iluminar o caminho com luz nas grandes crises, como fazia Ulysses, não aumentar o breu da escuridão, como faz agora Simon.

O abjeto 'apoio crítico' do Simon ao Bolsonaro lembra muito outra bobagem semelhante, a infame 'imparcialidade ativa' que José Fogaça inventou em 2010 para não se posicionar entre Serra e Dilma. Simon e Fogaça são crescidinhos o bastante para saber que o povo gaúcho deplora, evita, rejeita o muro, a indecisão, a falta de clareza política.

Nessa terra binária, nos orgulhamos sempre de termos um lado: chimangos x maragatos, golpe de 1961 x Legalidade, golpe de 1964 x Jango, MDB x ARENA, ditadura x resistência, Grêmio x Internacional... Nunca optamos por independência ativa, nem damos apoio crítico a avatares da repressão, da violência e da ditadura. Muito estranho que o Simon tenha esquecido as lições mais dignas e gloriosas de nossa História."







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