Eleições

Um domingo para começar a virar a História

 

13/11/2020 13:08

(André Rodrigues/Gazeta do Povo)

Créditos da foto: (André Rodrigues/Gazeta do Povo)

 
Este domingo poderá em graus diferenciados pelo país marcar um ponto de viragem histórica no atual cenário brasileiro.

As eleições municipais, especialmente das capitais, desde muito longe, já durante a ditadura civil-militar de 1964, definiu por assim dizer um ponto de inflexão na ordem política, econômica e social vigente, por exemplo quando das eleições gerais de 1974, foram nas principais capitais brasileiras que se impôs uma primeira e fatal derrota ao “poder de botas”.

Tratar do significado das eleições municipais implica falar em um conjunto de aspectos que não somente ou meramente eleitorais repercutirão profundamente pelos próximos anos e na trajetória que o país percorrerá, eis o intuito deste breve texto.

Um primeiro ponto a tratarmos refere-se ao modelo econômico. Nos últimos cinco anos tivemos a radicalização do modelo neoliberal, cujas características principais já tínhamos vivido nas décadas de 1990 e 2000 e somente muito parcialmente rompidos nos anos dos governos populares e reformistas. Esse modelo se apeia em componentes que já perduram algum tempo na história:

uma crescente redução dos gastos sociais do Estado e um esforço fiscal crescente destinado somente ao lado financeiro do orçamento público, algo que se agravou muito desde a Emenda Constitucional 95/16 que praticamente objetivou destruir o pouco de políticas públicas destinadas aos mais pobres;

uma senha devastadora das empresas públicas, sempre sob o discurso da eficácia ou eficiência privada, mas cujo centro é destinar os recursos públicos para “privataria” e ganhos extorsivos de uns poucos, que os digam os Macapaenses e como têm experimentado o doloroso fruto da privatização do fornecimento de energia elétrica, vale notar que a empresa que passou a fazer o fornecimento de energia elétrica em Macapá é uma empresa espanhola a Isolux;

desmonte das políticas sociais, flexibilização dos mercados de trabalho e destruição da seguridade social, componentes necessários ao estabelecimento da ideologia liberal-conservadora (“cada um por si, Deus por todos”). No Brasil já temos 47 milhões de pessoas que estão desempregas e subempregadas, constituindo parte da enorme massa de pessoas não servíveis ao capitalismo neoliberal.

A disputa social colocada nesta eleição pode nos levar a ruptura com este modelo econômico. O escrutínio que estará em votação refere-se a necessidade social e cívica de reconstruir as condições básicas de um modelo de organização econômica contrária ao neoliberalismo e que coloque no centro de uma nova ordem a ser construída a solidariedade e as condições dignas de vida para o povo brasileiro, contrariando os interesses daqueles que nutrem com a divida pública, com a pobreza da população e com a extorsão dos bens públicos, sejam ao nível macro, como estão fazendo com a Petrobrás, Eletrobrás e Vale do Rio Doce, seja ao nível local, como fazem com o sistema público de transportes ou de fornecimento de água potável e energia elétrica.

Um segundo aspecto fundamental refere-se a um acerto de contas com os setores conservadores e de direita, os mesmos que empurraram o país para uma crise tão profunda em que ficou difícil discernir sobre o que real e o que é fantasia na cabeça dos seus principais dirigentes, assim chegamos a 162 mil pessoas vitimadas pelo Covid e o líder dos conservadores e direitistas pousa de “líder de hospício” fazendo chacota com as famílias e assumindo um permanente discurso irracional e tresloucado.

Não há como esconder, em cada capital e cidade média brasileira, que gente como Crivella, Zenaldo, Bruno Covas, ACM Neto e por aí vai, são responsáveis e parte da mesma cultura política que gerou e é Bolsonaro. Desfazer a enorme destruição social e política representada pela figura nefasta daquele “líder de hospício” implica superar seus alcaides e candidatos a continuidade desse martírio imposto ao povo brasileiro.

Um terceiro elemento a nos guiar até domingo refere-se a construção de um projeto de longo prazo para todo país. O Brasil é hoje uma sociedade urbana com quase 85% de sua população vivendo em grandes ou médios aglomerados urbanos, necessariamente um projeto de Nação Soberana nasce pela construção de um projeto de Cidade que se vincule a percepção de democracia enquanto soberania popular, relacionada a condição imperiosa de melhoria da vida da nossa gente, bem como espaço da ampla convivência entre os diferentes e de acesso universal aos bens públicos e de combate permanente as desigualdades sociais e formas de degradação da natureza.

Quarto, mas central, as eleições deste domingo nos estimulam a construção de uma Revolução Solidária enquanto princípio de reorganização das condições de vida nos diversos pontos centrais: saneamento básico universalizado, política de transporte público, saúde pública enquanto condição universal, educação como direito inerente e garantia mínima de renda, assim como acesso ao trabalho digno.

Por fim, garantir a eleição de candidatos da esquerda democrática e socialista para Prefeituras e Câmaras de Vereadores, converge com a necessária organização crescente da sociedade brasileira para que em um determinado prazo na história se construa uma nova forma social que supere definitivamente o capitalismo, sua ânsia opressora, de ganhos para alguns e de pobreza e desprezo para as amplas massas da sociedade.



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