Histórias do Futuro

Em meio ataques às universidades, Andes-SN precisa ser renovado para resistir

Chapa de oposição se formou após direção do Sindicato Nacional dos Docentes do Ensino Superior se recusar a lutar contra o golpe

08/05/2018 10:34

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Créditos da foto: Reprodução

 
Ao se tornar um dos últimos espaços de resistência na estrutura estatal em apoio aos setores populares e de trabalhadores contra os golpistas, a universidade pública tem sido alvo de operações de criminalização da gestão pública e do trabalho docente. Diante de prisões de reitores, processos contra professores por conta de suas pesquisas, perseguições a disciplinas e corte de verbas, o Sindicato Nacional dos Docentes do Ensino Superior (Andes-SN) tem hoje tarefas essenciais, tais como construir a mais ampla unidade na defesa dos direitos de docentes e servidores públicos; realizar uma ofensiva teórica na sociedade denunciando as arbitrariedades dos golpistas, principalmente do judiciário; colaborar com os setores populares na construção de comitês de resistência e pela liberdade de Lula; bem como ajudar a construir um programa de recuperação econômica, desenvolvimento e reconstitucionalização do País.

Infelizmente, nos últimos anos a direção do Andes-SN tomou um caminho de prioritariamente combater um Partido (dos Trabalhadores) e uma Central (Única dos Trabalhadores), em vez de ouvir e lutar ao lado de sua base. Enquanto Lula e Dilma governaram o Brasil, a sua política de ultimatos e baluartes foi escamoteada como luta contra um patrão intransigente. Resultou, por exemplo, na desfiliação da CUT, que com todos os defeitos foi uma construção da classe trabalhadora, para criar, em conjunto com sindicatos de funcionalismo em careiras de altos salários, a CSP-Conlutas, uma estranha aliança entre a extrema-esquerda sectária e os setores mais figadais da direita antipetista dentro da burocracia estatal.

A política da direção do Andes-SN foi desnudada em 2016, quando, cumprindo determinações vindas da CSP-Conlutas, recusou-se a participar da construção da resistência o golpe com as seções sindicais das universidades que, naquele momento, integravam-se às Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo. O pretexto foi o dever moral de não fazer frente com “governos de conciliação de classes”. Chegou ao absurdo de ter presidentes do sindicato nacional negando o golpe e diretores levantando a bandeira “Fora Todos”, uma forma envergonhada de assumir o “Fora Dilma” pelo flanco esquerdo.

Os tristes episódios que culminaram com o apoio tácito ao golpe de 2016 evidenciaram a necessidade de renovação da entidade para que ela volte a ser o Andes – Sindicato Nacional combativo e protagonista dos anos 1970, 1980 e 1990. Por isso um grupo que se forjou na luta contra o golpe apresentou para as eleições dos próximos dias 9 e 10 de maio uma chapa de oposição.

Somos 83 docentes de diferentes ascendências étnico-raciais, matrizes teóricas, partidos políticos, sendo a maioria composta por independentes e militantes de movimentos populares de luta sociais. Somos jovens, muitos dos quais ingressaram nas universidades em concursos decorrentes da expansão dos governos Lula e Dilma. Somos veteranos que contribuíram na construção do Andes-SN e nas suas mais de 20 greves nestes 38 anos de existência, que fizemos parte do sindicato em seus momentos como protagonista da defesa da educação publica, laica, de qualidade, inclusiva e socialmente referenciada. Somos cientistas, pesquisadores e pesquisadoras que defendem sem vacilar os direitos e a liberdade de Lula.

O sindicato que representa a inteligência nacional precisa alterar os rumos que levam ao isolamento para se juntar aos grandes movimentos populares de luta social, bem como, às Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo; aos partidos golpeados e aos que solidária e acertadamente lutam contra o golpe; às grandes centrais sindicais que têm sido combativas de primeira hora contra os golpistas (CUT, CTB e Intersindical), sem contudo se fechar às demais que representam categorias igualmente atacadas pelos golpistas e cujas bases estão amplamente ao lado dos direitos dos trabalhadores, como Força Sindical, UGT, Nova Central e CSB. É necessário aproximar o sindicato dos docentes aos movimentos científicos e acadêmicos, tais como SBPC, FNPE, CONEP, ANPED, ANFOPE, CEDES, entre outros.

O momento exige a aglutinação de forças em torno da democracia sindical e do respeito à diversidade. Essa ampla e necessária unidade do movimento docente nacional passa pela eleição da Chapa 2 – Renova Andes, nas votações dessa semana.

*Celi Taffarel é professora-titular na Faculdade de Educação da Universidade Federal da Bahia, foi secretária-geral do Andes-SN na gestão 2003-2004 e hoje é candidata a presidenta do Andes-SN pela Chapa 2 – Renova Andes



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