Arte/Humor

Diário do Bolso, 1º de janeiro de 2020

 

01/01/2020 16:00

(Ilustração de Ivo Minkovicius)

Créditos da foto: (Ilustração de Ivo Minkovicius)

 
Estou tão emocionado
com meu primeiro aniversário,
que resumi tudo em versos
para ti, ó meu Diário.

Um ano de presidência!
Meu Deus, que ano feliz!
Tudo que os outros fizeram
este ano eu desfiz.

Batatinha quando nasce,
esparrama pelo chão,
o Bolso quando governa,
é pura demolição!

Não me importa a Amazônia,
quero mais que tudo queime,
vou matar índio e criar gado,
quero ser um John Wayne.

Se tem número ruim,
é intriga da oposição,
seja IBGE ou FioCruz,
ou o Inpe do Galvão.

Se meus segredos perguntam,
fico meio agressivo.
Nunca direi quanto gasto
no cartão corporativo.

Caprichei no Twitter,
fiz um trabalho sem igual.
O ano todo, fake news,
Golden Shower no carnaval.

Ciranda, cirandinha,
vamos todos cirandar,
aqui não existe fome,
criança tem que trabalhar.

O peixe desvia do óleo
porque é bicho inteligente.
Cocô só em dia par
salva o meio-ambiente.

Fala Ernesto Araújo
que aquecimento é marxismo.
E o Olavo de Carvalho
diz: “Viva o terraplanismo!”

O Weintraub escreve errado,
troca “acepipes” por “asseclas”,
mas quem nunca se confundiu
com todas estas teclas?

Menina só usa rosa,
e assim beleza esbanja,
menino prefere azul
e o Queiroz veste laranja.

Meus filhos são meu orgulho.
Dudu é quase bilíngue,
e tirou dez no estágio
na chapa do Burger King.

Falam muita maldade
da minha criação:
que Flávio adora rachadinha,
e Carluxo não gosta, não.

A Greta é pirralha,
a mulher do Macron, um jaburu.
Paulo Freire é comunista!
Trump, I só love you!

Sou um liberal,
isso canto aos quatro ventos,
só de agrotóxico
liberei uns quatrocentos.

Gasolina, dólar e carne
são a causa dos meus ais,
pois não param de disputar
para ver quem sobe mais.

Atirei o pau no gato,
mas o gato não morreu.
Na reforma da Previdência
só general não se fodeu.

Agora chega,
já cansei,
e se fizer muito verso,
vão dizer que eu sou gay.

@diariodobolso





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