Arte/Humor

Diário do Bolso, 11 de novembro de 2020

 

11/11/2020 09:55

(@vagner.ilustra)

Créditos da foto: (@vagner.ilustra)

 
Diário, ontem eu soltei os cachorros. Os cachorros, os urubus, os camelos, os lagartos, os dragões, os besouros, as baratas, o zoológico todo!

Logo cedo comemorei que um voluntário no teste da vacina chinesa se suicidou. “Mais uma que Jair Bolsonaro ganhou”, eu disse. E gostei de falar de mim como se eu fosse outra pessoa. Fiz que nem o Pelé.

Pô, mas eu vibrei mesmo com a morte do garoto. Porque aí o almirante Antonio Barra Torres, que dirige a Anvisa, teve uma boa desculpa para suspender os testes da vachina. Mesmo que ele tenha que voltar atrás, já dá uma atrasada e uma desmoralizada na bagaça do Dória.

Depois, num discurso à tarde, disse que o Brasil é um país de “maricas”, porque todo mundo fica com medinho da pandemia. “Ai, vou ficar dodói...”, “Ai, vou pro hospital...”, “Ai, eu vou morrer...”. Pô, claro que vai morrer. Mas morre trabalhando pra me ajudar, cacete! O que que custa?

E depois, no mesmo discurso, ameacei o Biden. Falei que “quando acaba a saliva, tem que ter pólvora”. Chamei pra briga mesmo! Ele que não venha com esse papinho de preservar a Amazônia. Ela é minha e se eu quiser queimo tudo!

Pode parecer que eu surtei, Diário. Mas é isso mesmo.

É que eu ando meio nervoso. É muito nabo na minha hemorroida.

Lá fora, o Trump perdeu. E, se ele foi demitido, isso quer dizer que eu estou de aviso prévio.

Aqui dentro, os meus candidatos tão levando uma surra de dar dó. Crivella, Russomano, aquela delegada lá de Recife que eu esqueci o nome, o garoto de belo Horizonte... Tá todo mundo perdendo feio. É capaz de ninguém ir pro segundo turno.

Mas o pior de tudo é que o Flavinho tá mais cercado que peru em véspera de natal.

Descobriram que o Queiroz usou dinheiro da rachadinha para pagar cabos eleitorais e despesas pessoais do garoto. E uma tal de Luiza abriu o bico e o celular pro Ministério Público. Contou que ficou anos no gabinete do Flavinho, mas nunca trabalhou. Só recebia 700 reais por mês e tinha que dar todo o resto do dinheiro pro Queiroz.

Tá tudo desmoronando. É a política externa, é a política interna e até a minha família.

E agora, Diário? A festa acabou, a luz apagou, o povo sumiu? E agora, Diário?

#diariodobolso

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