Arte/Humor

Diário do Bolso, 12 de outubro de 2020

 

12/10/2020 12:00

 

 
Ah, Diário, hoje é Dias das Crianças e eu fico lembrando de quando os meninos eram pequenos...

Parece que foi ontem que eu vi o Carluxo brincando de telefone sem fio, o Flavinho com a boca cheia de chocolate e o Dudu enrolando a língua para fazer de conta que falava inglês.

Parece que foi ontem que eu dei para eles uns revolvinhos que atiram água e eles corriam pelo condomínio brincando de polícia-ladrão-e-milícia. O chato é que dava muita briga, porque os três queriam ser milícia.

Ah, parece que foi ontem que o Carluxo colocava uma roupa colorida da mãe e dizia que era um pavão, que o Flavinho pedia para eu descascar laranja para ele e que o Dudu fazia embaixadinha com a bola.

E no Dia das Crianças não posso me esquecer de dar um crédito pro Queiroz, que foi uma espécie de babá para eles. O cara começou a trabalhar comigo quando o Flavinho, o mais velho, tinha só três anos. Ou seja, pegou os três no colo e, no tocante à educação dos meninos, ajudou um bocado. Principalmente em matemática. Ele adorava dar uns problemas assim para os garotos: “O seu funcionário ganha 9 mil. Quanto fica para ele, quanto fica para você, quanto fica para mim?”

Devo muito ao Queiroz, muito...

Depois, eu passei a dar armas de verdade no Dia das Crianças. Era uma pistola pra um, um rifle para outro, uma metralhadora pra um outro... E não parou por aí. Os brinquedos foram ficando cada vez mais caros: um cargo de vereador, uma embaixada (esse brinquedo quebrou antes de usar), a cabeça do Bebianno, um amigo no STF, um advogado, um gabinete do ódio, um chefe da PF...

Foi um trabalho duro. Mas valeu a pena. Hoje os garotos são o meu maior orgulho...

Quando eu vejo os três fazendo rachadinha ou comprando apartamentos com dinheiro vivo, eu penso: “fiz um bom trabalho”.

Olha, vou te confessar uma coisa, Diário: quando eu vejo os três, eu quase choro, quase choro...

#diariodobolso






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