Arte/Humor

Diário do Bolso, 19 de julho de 2019

 

19/07/2019 11:04

 

 
Canta comigo, Diário: Parabéns, para mim, nesta data querida, muitas felicidades, duzentos dias de vida!

Pro Bolso, nada! Tudo!

Duzentos dias, Diário! Hoje é meu aniversário de duzentos dias!

Dos cem primeiros eu nem vou falar, porque até já fiz um livro sobre eles. Mas vou fazer um resumo do centésimo-um até agora.

Pra começar, liberei uma carrada de agrotóxicos. O pessoal de esquerda enche o saco pela liberação da maconha. Pois eu liberei coisa bem mais forte, tipo o cyprodinil, o piriproxifem e o Captain 500 WP, que deve ter esse nome em minha homenagem porque mata tudo mesmo.

Nesse período eu fui um mão aberta. Cortei a insulina nos hospitais, mas soltei uma boa verba pro Milton Neves, pra Luciana Gimenez, pro Datena, pro Ratinho, pro Rodrigo Faro e pra Ana Hickmann falarem bem da reforma da Previdência. Sem falar nos bilhões que eu liberei pros deputados votarem a favor do texto-base. A minha Nova Política parece que usou aquele aplicativo que deixa todo mundo velho, kkkk!

Uma coisa ruim foi que teve uns vira-casacas que começaram a me criticar, tipo Lobão, MBL, Kim Kataguri, Marco Antonio Villa, Danilo Gentilli e Xerazade. Pô, eu faço tudo o que eu prometi e os caras me abandonam? Não dá para entender.

Uma coisa que eu gostei foi que eu bati um recorde! O de desmatamento. Só nos 15 primeiros dias de maio foram 6.880 hectares. Verde, pra mim, só o Palmeiras, kkkk!

Olha, Diário, por mim, eu enterrava o Ibama de uma vez. Mas, se ainda não matei, pelo menos deixei paralítico. Agora todo mundo lá só fica em volta do cafezinho, sem fazer nada. E eu despedi o cara que me multou lá em Angra, quando eu era deputado. É como diz aquela música: “Porque eu sou vingativo, vingativo...”

Falando em demissão, mandei embora todos os onze peritos do Mecanismo Nacional de Prevenção e Combate à Tortura, acabei com um monte de cargo na Secretaria Especial de Saúde Indígena, dei cartão vermelho pro general Santos Cruz (porque ele brigou com o Olavo), pro general Franklimberg de Freitas, da Funai (porque ele gostava de índio), pro general Juarez de Paula Cunha, presidente dos Correios (porque ele criticou a privatização), e pro Levy (porque trabalhou com o PT).

Falando em esquerda, resolvi dar uma enquadrada no pessoal de cinema. Pô, não é certo dar dinheiro público para fazer coisas como Bruna Surfistinha. E eu sei bem como é que é aquele filme, porque eu já vi umas dez vezes. Dinheiro público tem que ser para fazer filme da Record. Se fosse Maria Madalena Surfistinha, aí tudo bem.

Outra coisa boa que fiz nesses cem dias foi viajar. Fui pro Chile, pra Argentina (duas vezes, porque lá tem churrasco), voltei pros EUA e fui para o Japão fazer propaganda de bijuteria de nióbio. Meu passaporte tá carimbadão.

No tocante às crianças em geral, eu defendi o trabalho infantil e fiz um projeto para acabar com a cadeirinha.

Já no tocante às minhas crianças, eu mandei embora todo mundo que brigou com o Carluxo, arranjei um emprego de embaixador para o Dudu (“Pretendo beneficiar meu filho, sim”), e o meu amigo Toffoli parou aquele processo que ia pegar o Flávio só por causa de umas rachadinhas. Fui um paizão ou não fui?

Diário, um negócio que eu gostei foi me misturar com o povo. Fui ver jogo do Flamengo com o Moro (depois da #VazaJato, pra dar uma força pra ele, coitado), participei da Marcha para Jesus (fiz até arminha) e fui na final da Copa América. Aliás, lá no Maracanã eu levei a maior vaia da minha vida. E tava todo mundo de camisa amarela. Isso eu não entendi direito até agora.

Enfim, Diário, grandes dias!

Vamos para mais cem. Mas sem vaias, talkei?

@diariodobolso



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