Arte/Humor

Diário do Bolso, 2 de outubro de 2020

 

02/10/2020 16:24

(Aroeira)

Créditos da foto: (Aroeira)

 
Diário, eu não sou daqueles que, quando dá uma moeda prum mendigo, diz: “Não vai gastar em pinga, hein?”

Pô, se o cara quer encher a cara, enche. O dinheiro é dele. E o fígado também.

(Na verdade, eu não dou esmola pra ninguém. Se o vagabundo quer uma moeda, que vá trabalhar, talkei?)

E sabe por que eu falei isso de pinga, Diário?

Porque estão enchendo meu saco (não é à toa que eu fico com pedra na bexiga) por causa de uma esmola.

É o seguinte: uma empresa aí, uma tal de Marfrig, deu R$ 7,5 milhões pro Ministério da Saúde fazer testes de covid na população.

Mas, cá entre nós, teste não adianta nada. Se o cara tá doente, vai continuar doente. E, se não tá, vai continuar não tando.

Então a gente achou melhor usar o dinheiro pra outra coisa. E passamos para aquele treco lá da Michele, o Arrecadação Solidária, que estava sendo um fracasso. Tanto que o pessoal tava até pensando em mudar o nome da coisa pra Arrecadação Solitária, porque ninguém dava um tostão praquele bagulho.

Aí passamos os 7,5 milhões pro tal programa da Michele. E, de lá, uma parte do dinheiro foi pra umas Ongs que a Damares gosta.

Opa! Ong, não, que eu não gosto desse nome, porque parece coisa de ecocomunista. São “instituições missionárias evangélicas”.

O chato é que a Foice de S.Paulo foi ver onde era a sede de uma delas e no lugar tinha um restaurante.

Agora o Ministério Público no Tribunal de Contas da União quer investigar a bagaça toda.

Precisa? Não precisa.

A empresa deu o dinheiro pra gente, então a gente pode fazer o que quiser com ele. Se quiser gastar com teste, gasta. Se quiser repassar pra Damares, tudo bem.

E, se preferir gastar com pinga, tudo bem também.

#diariodobolso

PS: Será que dá para chamar os 89 mil que o Queiroz depositou na conta da Michele de “arrecadação solidária”?

PPS: No fundo, no fundo, a rachadinha é só isso: uma arrecadação solidária.



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