Arte/Humor

Diário do Bolso, 22 de setembro de 2020

 

22/09/2020 13:30

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Créditos da foto: (Reprodução)

 
Diário, meu discurso foi ao ar agorinha. Será que ficou na cara que eu estava lendo? Será que fiquei com aquele ar de robô?

Os meus assessores disseram que não. E deve ser verdade, porque o pessoal que está à minha volta não é de mentir.

Bom, pra pegar bem, logo de cara lamentei a morte de cada brasileiro que morreu de covid. Sorte que o pessoal lá do exterior não conhece o meu “E daí?”.

Depois fiz uma coisa que eu aprendi com o professor Olavo: disse que os inimigos fizeram o que eu fiz. Fiz isso falando que a imprensa brasileira politizou o vírus. Inventei até um lema que ela teria inventado: “Fique em casa, a economia a gente vê depois”.

Falei bastante do auxílio emergencial, mas não contei que queria dar só duzentos reais e que o valor só aumentou por causa da oposição. Também falei destinei dinheiro à pesquisa da vacina, mas não contei que cortei verba do CNPq.

Também falei um pouco da hidroxicloroquina, elogiei o Trump (louvado seja, amém!) e cutuquei a Venezuela.

Mas o meu principal assunto foi a “brutal campanha de desinformação sobre Amazônia e Pantanal”. Usei aquela desculpa do Ricardo Salles e do Mourão, que disseram que a nossa floresta é úmida e não pega fogo.

Acho que falei mais “preservação ambiental” hoje do que na minha vida toda. Se eu disser várias vezes que faço isso, pode ser que o pessoal acredite.

Eu ainda queria dizer alguma coisa contra a Greta e o DiCaprio, mas o pessoal achou que era demais.

Enfim, Diário, foi uma autopropagandona de mim mesmo. Me senti que nem um Hollywood ou um Marlboro. Mato os caras, mas fico posando de bonzinho, kkk!

#diariodobolso

PS: Quem será que vai ganhar o prêmio “Fujão da Semana”? Eu, que não quero dar depoimento ao vivo para os advogados do Moro, ou o Flavinho, que escapou da acareação com o Paulo Marinho? Minha família é muito boa em fugir da polícia, kkk!

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