Arte/Humor

Diário do Bolso, 24 de março de 2020

 

24/03/2020 11:16

Ilustração de T. Recchia.

Créditos da foto: Ilustração de T. Recchia.

 

Diário, foi por pouco. Ontem quase que eu me ferro. Aquela história de deixar as pessoas sem salário por quatro meses provocou um ódio contra a minha pessoa que eu nunca tinha visto antes. Foi de evangélico fazer macumba contra mim na encruzilhada.

O meu gado, em vez de mugir “miiiito”, deu meia volta e apontou os chifres na minha direção. Me senti um toureiro sem capa e vestido de vermelho, com um bando de touros soltos na arena.

A gente acionou os robôs, mas eles não davam conta. As pessoas já estavam marcando panelaço, já pediam impitimam, já diziam que deviam ter votado no Haddad.

Pra piorar, ainda saiu uma pesquisa dizendo que os governadores e o Mandetta estavam agindo muito melhor do que eu na crise.

Não teve jeito. Tive que despublicar a MP que eu tinha publicado com uma republicação. Foi a Medida Provisória mais provisória de todos os tempos.

O que eu gostei foi que o Doria tinha apoiado a lei e aí, quando eu voltei atrás, ele ficou com o mico na mão.

Um pessoal até tentou me ajudar. O Olavo disse que nem uma única pessoa morreu de coronavírus no mundo. O Justus falou que era um resfriadinho que só ia matar velhinho, e por isso não é para parar de trabalhar. E o cara do Madero falou que o Brasil não podia parar por 5 ou 7 mil mortes.

Mas a rede social caiu em cima dos três. Foram xingados de tudo quanto é nome. O Olavo foi chamado de maluco, o Justus de Injustus e o Madero de cara de pau.

Acho que nos próximos dias o Madero vai ter que fazer uns anúncios na agência de publicidade do Justus, que vai ter que encomendar um mapa astral pro Olavo, que vai ser o único a comer um hambúrguer do Madero.

Olha, Diário, dessa vez foi por pouco. Acho que o Romero Brito já tinha até começado a pintar um quadro com a cara do Mourão.

@diariodobolso

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