Arte/Humor

Diário do Bolso, 25 de janeiro de 2019

 

25/01/2019 18:32

 

 
Querido Diário, com a imprensa eu não falo. Não falo, não falo, não falo! Mas para ti eu me abro feito uma rosa desabrochada. Opa! Digo, feito uma metralhadora desmontada.

Ah, como é bom estar no avião voltando para casa. Odiei cada minuto naquela terra (que ainda não sei se chama Dávos, Davós, ou Davôs). O frio era de lascar. O xixi virava gelo antes de bater na naftalina. Tá, é exagero, mas por pouco.

O pior não era mijar. Era falar em público. Pô, como isso é difícil. O meu negócio é falar para a câmera do celular, falar lá em casa para o facebook. Com um monte de jornalista e político olhando não dá.

Aquele discurso de abertura parecia que não acabava mais. Me disseram que teve menos de sete minutos, mas para mim durou mais que uma partida de futebol. E daquelas que seu time leva goleada. Que inferno! Mas eu acho que fiz uma boa retrospectiva do nosso futuro. Ou será que o certo é dizer que eu fiz uma boa previsão do nosso passado? Tanto faz. De qualquer jeito a imprensa esquerdocomunista ia dar um jeito de me criticar.

Por isso que eu não falei lá na coletiva. Acho que foi a primeira coletiva com ausência coletiva da história. Eu até cheguei cedo e sentei lá com o Moro, o Araújo e o Guedes. Mas quando eu percebi que o pessoal ia começar a entrar, me meti debaixo da mesa e chamei os três. Eles acharam ótimo não ter que falar.

O Moro não quer nem ver a imprensa, porque iam perguntar: “O senhor não diz que persegue os corruptos? O que acha do caso Queiroz? Não vai ter coercitiva?”

O Guedes não quer que perguntem do plano econômico dele, porque o plano dele é só “Vamos privatizar tudo que der”. E isso aí é mais curto que o meu discurso.

E o Araújo não quer falar porque acha que todo mundo aqui é maluco: “Como é que podem falar em aquecimento global se no encontro global faz um frio desses?”

Bom, aí nós quatro ficamos ali embaixo da mesa, esperando os jornalistas irem embora. Pra gente se distrair, ficamos jogando jokempô. Eu ganhei todas as partidas, porque pros outros só valia pedra, papel e tesoura, mas pra mim valia revolvinho. O Moro até começou a reclamar, mas aí eu disse: “Eu sou o presidente, pô. Eu que mando na lei”. E aí ele ficou calado.

Aliás, foi ótimo o Mourão ter assinado aquela mudança na Lei de Acesso à informação. E o BC já está encaminhando aquela coisa de parar de investigar parente de político. É que nem eu sempre digo: “Tem que mudar isso daí!”.

Mas o melhor de tudo, Diário, é que, enquanto eu volto, o Jean Wyllys vai embora. O Brasil está ficando cada dia melhor.

Ah, e fica tranquilo: eu vou te levar para o hospital comigo. Com a imprensa eu não falo, mas pra você eu conto tudo.

@DiariodoBolso



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