Arte/Humor

Diário do Bolso, 29 de junho de 2020

 

29/06/2020 12:42

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Créditos da foto: (Reprodução)

 
Diário, tem um site aí chamado inumeraveis.com.br que conta a história de pessoas que morreram da covid-19.

Tem a história da Francisca, que transformava até seu arroz queimado em alegria; da Nilza, que reencontrou sua filha depois de 29 anos; do Hailton, que tinha como bordão "O que precisar, é só pedir"; do Julcivan, de 48 anos, que amava açaí com camarão; do Eduardo, um professor cearense que escrevia poemas até em guardanapos; da Agatha, que tinha só 25 anos e adorava gatos; do Seu Barone, eterno chefe da estação Pirituba; do Elzo, que amava a Luiza e o Londrina Esporte Clube; do Adonias, que falava pouco e ria muito; da Laura, que nas festas jogava bombons para o alto; da Quézia, de 34 anos, que não entendia como Deus podia ser tão bom com ela; do Maurício, que ficava feliz com casa cheia, mesa farta e todos falando ao mesmo tempo; do Vanildo, que tinha 56 anos e queria viver até os cem; da Quitéria, que amava a família, a praia de Iracema e o bloco "O cheiro é o mesmo"; e da Zélia, que adorava cantar uma música que dizia "Igual à andorinha, eu parti sonhando".

Pô, esse negócio aí dos inumeráveis mostra que 57 mil não é só um número. É gente. E, como eu falei que era só uma gripezinha, receitei remédio errado, xinguei de covarde quem ficasse em casa e, no final das contas, chamei todo mundo pra rua, vai parecer que eu sou um irresponsável que foi responsável por um monte de mortes. Um assassino.

E lugar de assassino é na cadeia.

#diariodobolso

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