Arte/Humor

Diário do Bolso, 31 de agosto de 2021

 

31/08/2021 11:22

(Reprodução/Twitter)

Créditos da foto: (Reprodução/Twitter)

 
Diário,hoje é aniversário de cinco anos do golpe, digo, do impitimem da Dilma. E foi ali, no meu voto, que eu comecei a ser presidente.

Comecei assim: “Nesse dia de glória para o povo brasileiro, tem um nome que entrará para a história nessa data, pela forma como conduziu os trabalhos da casa: parabéns, presidente Eduardo Cunha!”.

Aí os deputados esquerdentos me vaiaram e eu respondi: “Perderam em meia quatro e perderam agora em 2016”.

Depois continuei lendo o que eu tinha escrito num papelzinho: “Pela família e pela inocência das crianças na sala de aula, que o Petê nunca teve, contra o comunismo, pela nossa liberdade, contra o Foro de São Paulo, pela memória do Coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, o pavor de Dilma Russéfi, pelo exército de Caxias, pelas nossas forças armadas, por um Brasil acima de tudo e por Deus acima de todos, o meu voto é sim!”.

Pô, Diário, tudo o que eu ia fazer já tava naquele voto. Primeiro elogiei o Cunha. Tá, todo mundo sabia que ele era um corrupto típico do Centrão. Mas e daí? Eu ligo pra isso? Tanto não ligo que gastei um dinheirão pra colocar o Arthur Lira, um discípulo do Eduardo Cunha, na presidência da Câmara.

Depois deixei claro que era golpe mesmo, comparando 1964 com 2016.

Aí vim com aquela conversa de família e inocência das crianças, que sempre pega bem. Mesmo que eu tenha tido um monte de famílias e meus meninos não sejam exatamente inocentes, kkk!

Então falei contra o comunismo e o Foro de São Paulo, porque a gente tem que inventar uns inimigos, senão ninguém vem com a gente.

Depois veio a melhor parte: citei o Ustra, torturador da Dilma. Aí o pessoal pirou! Foi nessa hora que eu ganhei a turma do “Ai que saudade da ditadura”.

Aí citei os militares, claro, e lancei o meu slogan.

Diário, graças a esse voto que eu me elegi e fiz o Brasil melhorar tanto nesses quase mil dias de governo.

Tá, a renda per capita caiu, o número de pessoas em pobreza extrema foi lá pra cima, a gasolina chegou em R$ 7, o gás em R$ 100, o dólar disparou e morreram quase 600 mil de covid. Mas, em compensação... Em compensação... Em compensação... Xi, Diário, não consegui terminar essa frase.

#diariodobolso



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