Arte/Humor

Diário do Bolso, 4 de dezembro de 2019

 

04/12/2019 12:31

 

 

Diário, eu não entendo esse homem.

Eu não fiz tudo o que ele pedia?

Não dei tudo o que ele quis?

Não cedi a cada capricho, a cada desejo?

Então por que ele fez isso comigo? Por que me tratou assim? Por que pelo menos não ligou para me avisar? Custava mandar um zap-zap?

Será que eu fiz alguma coisa errada? Disse alguma palavra que não devia? Será que mandei mensagens demais?

Às vezes, falar “eu te amo” é um erro...

Me abri demais. E ele se aproveitou.

Ah, Diário, por causa desse homem eu dei isenção de visto pros turistas americanos, renunciei ao tratamento diferenciado na Organização Mundial de Comércio, aumentei a importação de etanol dos EUA, apoiei o embargo a Cuba, e, ai..., até deixei que ele colocasse o seu foguete na minha Alcântara...

Tudo isso pra quê?

Ele me agradeceu? Alguma vez me disse “eu também te amo”? Não, nada disso. Nada!

O que ele fez foi sobretaxar meu aço e meu alumínio.

O que eu faço agora? Será que eu ligo para ele para reclamar?

Não, melhor não. Ele anda muito ocupado com o trabalho.

Poxa, mas eu não desvalorizei o real porque eu quis. É uma coisa que aconteceu sozinha...

Eu nunca faria algo de propósito para deixar ele bravo. Nunca...

Ah, Diário, que tristeza... Vou te confessar um negócio: tem hora que eu até penso que não era amor, era cilada.

Mas eu não quero acreditar nisso. Não quero, não quero! Não posso...

Ele parecia tão forte, tão firme, tão verdadeiro...

Como é que eu posso acreditar que fui enganado tanto tempo e tão bem?

Como é que eu posso acreditar que alguém em que eu pus toda a minha fé, todo o meu sentimento, me enganou?

Como?

@diariodobolso

PS: Será que é isso que os meus eleitores sentem?

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