Arte/Humor

Diário do Bolso, 5 de fevereiro de 2019

Que mal há ministro arranjar candidatos laranjas, umas notas frias e pronto?

05/02/2019 15:34

(@DiariodoBolso)

Créditos da foto: (@DiariodoBolso)

 

Diário, quando eu comecei a te escrever não pensei que você seria tão diário. Era mais para ser um semanário, um quinzenário ou um mesário. Mas todo dia acontece alguma coisa no meu governo. Desse jeito, logo, logo eu acabo o meu caderninho.

Ontem, por exemplo, a imprensa marrom (ah, eu sei porque ela é chamada de marrom...) publicou que o meu Ministro do Turismo, o Marcelo Álvaro Antônio, arranjou umas candidaturas laranjas para ficar com o dinheiro do fundo partidário.

Pô, o pessoal não tem dó do baixo clero. Não é fácil, não! Esses políticos ficam longe das grandes falcatruas, dos grandes arranjos. Aí não dá para receber aquelas boladas que os graúdos recebem. Tem que ganhar no miudinho.

Por exemplo, uma saída é empregar uns funcionários fantasmas e ficar com o dinheiro dos caras. Ou então rachar o salário dos seus funcionários ao meio, fazendo a rachadinha. Agência de emprego não faz isso? A igreja não faz isso? O PT não fazia isso? Cafetão não faz isso? Pô! Tenha santa paciência!

Outro jeito era ficar com parte do dinheiro da campanha eleitoral. Por exemplo, caro Diário: uma empresa de areia te dava um milhão para a campanha. Aí você gastava 500 e ficava com os outros 500. E, quando entrava no Congresso, uma lei propondo algum treco do tipo "areia de graça para obras públicas", o deputado ia lá e vetava.

Agora, com essa lei que proíbe empresa de dar dinheiro pras campanhas, tudo ficou meio complicado. Mas sobrou a merreca do fundo partidário. Isso ainda dá pra pegar. É só arranjar uns candidatos laranjas, umas notas frias e pronto.

Ainda bem que eu estou aqui no hospital e não tenho que dar entrevista sobre isso. É só ficar aqui quietinho. Escapei dos debates e estou escapando das entrevistas. Nada mal. Pena que é só mais uma semana.

Ah, e ontem também saiu a proposta de pacote anticrime do Moro. Agora o policial vai ser testemunha, juiz, júri e carrasco, tudo ali, na hora. Vamos desburocratizar a coisa! Isso é que é eficiência!

PS: Com essa lei do Moro e com a liberação das armas, o pessoal das milícias deve estar bem contente.

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